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Okoye desembarca na Super Eagles: profissionalismo acima do caos administrativo da NFF

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

Goleiro titular chega aos treinos a dois dias do jogo decisivo pelas eliminatórias da CAN 2025. Enquanto a federação nigeriana patina em gestão ineficiente, jogadores assumem responsabilidade que deveria ser da entidade.

O goleiro Maduka Okoye desembarcou nesta quinta-feira (25) no acampamento da seleção nigeriana em Uyo, capital do estado de Akwa Ibom, a tempo de participar do treino final antes do confronto contra Madagascar, marcado para sábado (27), pelas eliminatórias da Copa Africana de Nações de 2025.

A chegada do arqueiro do Udinese, da Itália, ocorre após dias de incerteza quanto à logística de voos e concentração — mais um capítulo na crônica de desorganização que tem marcado a gestão da Federação Nigeriana de Futebol (NFF).

Enquanto a NFF gastou os últimos meses em disputas internas e processos eleitorais contestados — inclusive com intervenção do Ministério dos Esportes —, jogadores como Okoye precisaram arcar com traslados particulares e horários mal ajustados para cumprir o chamado da seleção. Não é exagero dizer que o profissionalismo individual dos atletas tem sido o verdadeiro salva-vidas de uma entidade que insiste em funcionar como repartição pública ineficiente.

Okoye, de 25 anos, não é novato nesse tipo de novela. Em 2022, durante a preparação para a Copa do Mundo do Catar, ele já havia sido um dos primeiros a chegar ao campo de treinos, enquanto a NFF ainda resolvia pendências com passagens aéreas. Desta vez, o goleiro teve que negociar diretamente com a Udinese a liberação antecipada — algo que a federação deveria ter coordenado com weeks de antecedência.

Por que isso importa: a seleção nigeriana ocupa a liderança do Grupo D com 10 pontos, mas qualquer tropeço contra Madagascar — que ainda sonha com uma vaga — pode complicar os planos de classificação automática. Em um esporte onde a margem de erro é mínima, cada treino perdido por problemas burocráticos é um custo que não aparece no balanço contábil da NFF, mas que pode pesar na tabela.

Análise FORTIS: o caso Okoye expõe o que acontece quando uma instituição esportiva é gerida como estatal, sem critérios de eficiência ou meritocracia. A NFF recebe milhões de dólares em patrocínios da Nike, AITEO e outras marcas, além de repasses da FIFA e da CAF. Ainda assim, falha no básico: logística de concentração. Se fosse uma empresa privada sob auditoria, os gestores já teriam sido substituídos há muito tempo.

O presidente da NFF, Ibrahim Gusau, declarou à imprensa local que "a federação está fazendo o possível dentro das limitações orçamentárias". Ora, se a entidade gasta mal e tributa o futebol nigeriano com taxas e burocracias que afugentam investidores, o discurso de "limitações" soa como desculpa esfarrapada. O que falta é gestão profissional, não dinheiro.

Contraponto: é justo dizer que jogadores que atuam na Europa chegam com menos tempo de preparação do que os atletas locais, dada a rigidez dos calendários europeus. Ainda assim, federações bem administradas — como a do Marrocos ou a do Senegal — conseguem realizar convocações com tranquilidade, negociando com clubes e organizando voos fretados sem alarde. A diferença é que essas federações são geridas como empresas, não como balcão de empregos políticos.

A partida contra Madagascar terá transmissão ao vivo pela SuperSport e acompanhamento minuto a minuto pelo portal FORTIS NEWS. Okoye deve começar jogando, com a braçadeira de capitão retornando a William Troost-Ekong após lesão.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.