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Economia

Falhas em projetos na Nigéria são causadas por compras públicas ineptas, aponta NSE

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

A Sociedade Nigeriana de Engenheiros (NSE) divulgou relatório contundente que liga o fracasso de megaprojetos de infraestrutura a práticas predatórias de procurement estatal. O documento expõe como a burocracia e a falta de transparência corroem o erário e travam o desenvolvimento.

A Sociedade Nigeriana de Engenheiros (NSE) apresentou nesta semana um relatório que escancara a relação direta entre o colapso de grandes obras de infraestrutura no país e as falhas sistêmicas nos processos de aquisição pública (procurement). O documento, intitulado "Procurement Failures as a Root Cause of Project Abandonment in Nigeria", foi obtido pelo FORTIS NEWS e analisa 47 projetos paralisados ou abandonados entre 2015 e 2025, totalizando mais de 12 bilhões de dólares em recursos desperdiçados.

Segundo a NSE, em comunicado divulgado à imprensa, a raiz do problema não está na falta de recursos ou na incompetência técnica dos engenheiros nigerianos, mas sim na forma como o governo licita, contrata e fiscaliza as obras. "O procurement público na Nigéria é um terreno fértil para corrupção, favoritismo e ineficiência", afirma o texto, citando casos em que contratos foram firmados com empresas sem capacidade operacional comprovada, prazos irreais e cláusulas que favorecem reajustes unilaterais.

O contexto é grave. A Nigéria possui uma das maiores economias da África, mas sua infraestrutura está entre as piores do continente. Estradas, ferrovias, usinas de energia e sistemas de saneamento básico frequentemente entram em colapso antes mesmo da conclusão. O relatório da NSE aponta que, em 78% dos projetos analisados, o edital de licitação foi redigido de forma a restringir a concorrência, favorecendo empresas ligadas a políticos locais. Em 63% dos casos, não houve auditoria independente durante a execução.

Por que isso importa? Porque cada projeto abandonado representa não apenas dinheiro público perdido, mas também oportunidades de emprego, crescimento econômico e qualidade de vida que deixam de ser geradas. O contribuinte nigeriano paga a conta duas vezes: primeiro pelos impostos que financiam as obras, depois pelo custo social do atraso. Enquanto isso, o país continua dependente de importações de bens que poderia produzir internamente, se tivesse energia e logística confiáveis.

Análise FORTIS: O caso nigeriano é um exemplo clássico do fracasso do Estado interventor. A máquina pública, quando não submetida à disciplina do mercado e à transparência absoluta, torna-se um poço de ineficiência. A solução não é gastar mais, mas gastar melhor. A NSE sugere, com razão, a adoção de plataformas digitais de licitação, a obrigatoriedade de garantias contratuais e a criação de um órgão independente de auditoria de obras. Medidas liberalizantes como abertura total de concorrência, publicação de todos os contratos em formato aberto e punição severa a gestores que descumprirem prazos são o caminho.

Contraponto: O governo nigeriano, por meio do Ministério das Obras, alega que muitos projetos foram herdados de administrações anteriores e que a crise cambial e a inflação inviabilizaram a conclusão. No entanto, o relatório da NSE mostra que, mesmo em períodos de estabilidade macroeconômica, os índices de abandono eram elevados. A verdade factual é que a má gestão precede a crise. Países como o Chile e a Nova Zelândia, que reformaram seus sistemas de procurement com foco em transparência e competição, reduziram em mais de 40% o custo médio de obras públicas. A Nigéria insiste em repetir os mesmos erros.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.