Em uma operação coordenada na capital nigeriana, agentes da NSCDC prenderam em flagrante um motorista de caminhão e dois outros homens acusados de vandalizar um trecho do oleoduto da Nigerian National Petroleum Corporation (NNPC) para extrair combustível. A ação, divulgada em nota oficial nesta terça-feira, reforça o combate a uma prática que drena os cofres públicos e compromete o abastecimento interno.
Segundo a NSCDC, o trio foi interceptado com ferramentas de corte, mangueiras e tanques improvisados em um veículo adaptado para o transporte ilegal de produto. As autoridades estaduais de Abuja estimam que o grupo fazia parte de uma rede maior de saqueadores de dutos, responsável por perdas anuais de mais de 200 mil barris por dia no país.
O vandalismo de oleodutos é uma chaga crônica na Nigéria, o maior produtor de petróleo da África. Dados do NNPC indicam que o país perdeu, somente em 2025, cerca de 3,2 bilhões de dólares com roubos, sabotagem e incêndios em dutos. Esse dinheiro, que poderia financiar infraestrutura e redução de impostos, acaba evaporando no subsolo ou no mercado negro.
Para o FORTIS, a prisão é um passo necessário, mas insuficiente. A NSCDC merece elogios pela ação enérgica, mas o problema é estrutural: a NNPC, empresa estatal, opera sem concorrência real e sem accountability. A política de subsídios criada pelo governo nigeriano distorce o mercado — o preço oficial do combustível fica abaixo do custo de produção, o que incentiva o contrabando e a sabotagem.
O livre mercado, aqui, seria a solução mais eficaz. Se a NNPC fosse privatizada ou abrisse espaço para players privados com segurança jurídica, o custo de vigilância e manutenção dos dutos cairia, e o roubo deixaria de ser economicamente atrativo. O estado mínimo, no sentido liberal-conservador, não significa omissão policial — significa reduzir a interferência que cria as distorções.
Contudo, é preciso citar o contraponto: há quem argumente que o vandalismo é resultado da pobreza extrema e da falta de alternativas de renda. O FORTIS reconhece o drama social, mas rejeita a narrativa que justifica crime como resposta à miséria. Dados do Banco Mundial mostram que a Nigéria gasta mais de 10% do PIB em subsídios ineficientes, enquanto a população carece de eletricidade — o dinheiro não chega ao povo, fica nas mãos de intermediários corruptos. A pobreza é fomentada pela própria estrutura estatal que diz combatê-la.
A operação da NSCDC é um alívio, mas não muda o quadro de fundo. Enquanto a NNPC continuar sendo um monopólio estatal vulnerável, os dutos seguirão como alvos fáceis. A solução passa por reforma liberal: fim do subsídio, abertura do setor de downstream, e segurança patrimonial definida em lei. O governo nigeriano, assim como o brasileiro, precisa aprender que o estado que protege a propriedade privada — inclusive a da empresa estatal — é o mesmo estado que reduz a criminalidade e atrai investimento.
Por fim, a prisão dos três suspeitos deve ser saudada, mas a imprensa liberal deve ir além: cobrar transparência sobre o destino do petróleo roubado, apuração das conexões políticas que protegem as máfias locais e a adoção de um modelo de mercado que torne o roubo de dutos um crime desnecessário — porque o preço justo e a concorrência eliminariam o lucro do ilegal.
No curto prazo, a ação da NSCDC mostra que a lei pode funcionar na Nigéria, desde que haja vontade. No longo prazo, a soberania nacional nigeriana não será garantida por soldados no oleoduto, mas sim pela consolidação de um setor privado forte e de um estado enxuto que respeite o cidadão contribuinte.
Por Renan Filho · 2026-09-23