Um novo episódio de violência bárbara sacode o norte da Nigéria. Na última terça-feira, 22 de setembro de 2026, um agricultor identificado como Malam Usman, de aproximadamente 60 anos, foi morto a golpes de facão na vila de Tiffi, área de governo local de Alkaleri, no estado de Bauchi. Segundo relatos da polícia local, a vítima foi arrastada de sua própria casa por uma multidão enfurecida que a acusava de praticar bruxaria e de ser responsável por uma série de mortes misteriosas na comunidade nos últimos meses.
O porta-voz da polícia do estado de Bauchi, Ahmed Wakil, confirmou o ocorrido em declaração à imprensa local. Segundo ele, a vítima foi brutalmente agredida com facões e paus, e o corpo apresentava múltiplas perfurações. A polícia informou que já prendeu seis suspeitos envolvidos no linchamento, mas a comunidade permanece em estado de tensão. "Estamos investigando o caso e garantiremos que os responsáveis sejam levados à justiça", disse Wakil, em uma promessa que soa vazia diante da recorrência de tais crimes.
O contexto é aterrador e revela muito sobre a falência das instituições na Nigéria. Acusações de bruxaria são comuns em regiões rurais empobrecidas do país, onde a ausência do Estado é quase total. Escolas fechadas, postos de saúde sem médicos, estradas intransitáveis e uma polícia subfinanciada e corrupta são a realidade. Em vez de levar desenvolvimento e oportunidades, o governo nigeriano entrega impostos altos e burocracia, enquanto a população sobrevive na base da superstição e da justiça com as próprias mãos.
Por que isso importa? Este não é um caso isolado. A Nigéria, maior economia da África, é um paradoxo: rica em petróleo, mas com uma população majoritariamente pobre e sem acesso a serviços básicos. O Estado, inchado e corrupto, falha em seu papel mais fundamental: garantir a segurança e a vida de seus cidadãos. Enquanto políticos em Abuja gastam bilhões em subsídios ineficientes e projetos faraônicos, o cidadão comum no norte do país enfrenta a fome, o Boko Haram e a ameaça de ser linchado por uma acusação de feitiçaria. O livre mercado e a redução do Estado são as únicas saídas para gerar riqueza e tirar essas pessoas da pobreza e da ignorância.
Análise FORTIS: O caso de Malam Usman é um sintoma de algo muito maior. A ausência de um Estado mínimo e eficiente, que deveria garantir segurança jurídica e física, cria um vácuo preenchido pela barbárie. A esquerda globalista e as ONGs internacionais adoram apontar o dedo para o "subdesenvolvimento" e o "colonialismo", mas ignoram o elefante na sala: a corrupção endêmica e a má gestão dos recursos públicos por elites políticas que se perpetuam no poder. A Nigéria gasta fortunas com um parlamento superlotado e salários astronômicos para deputados, enquanto um agricultor é morto porque a comunidade não confia na polícia para resolver um caso de morte suspeita. Não é falta de recursos; é falta de prioridades e de um Estado que funcione para o cidadão, e não para o político.
Contraponto: Defensores de um Estado mais intervencionista argumentariam que o problema é justamente a falta de presença estatal e que mais investimento público em educação e saúde poderia erradicar a superstição e a violência. O FORTIS concorda que educação de qualidade é fundamental. No entanto, a pergunta que fica é: como confiar em mais gasto público quando o histórico é de desvio e ineficiência? A solução não é mais Estado, mas um Estado diferente: enxuto, focado em suas funções essenciais (segurança e justiça) e que crie um ambiente de negócios próspero para que o setor privado gere empregos e renda. Sem desenvolvimento econômico, a educação formal é um luxo que não chega às vilas rurais.
Por Renan Filho · 2026-09-24