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Internacional

TCN acelera reparo de torre de energia em Kebbi e expõe fragilidade do modelo estatista na Nigéria

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

A Transmission Company of Nigeria (TCN) iniciou nesta semana a reconstrução emergencial de uma torre de transmissão colapsada no estado de Kebbi. O incidente, que mergulhou parte do noroeste nigeriano na escuridão, reacende o debate sobre os limites do monopólio estatal no setor elétrico africano.

A Transmission Company of Nigeria (TCN) anunciou publicamente no último domingo (22) o início das obras de reparo de uma torre de alta tensão que desabou na região de Jega, estado de Kebbi, deixando milhares de residências e comércios sem energia elétrica por mais de 72 horas. Em nota oficial divulgada em seu canal no X, a companhia estatal afirmou que “equipes de engenharia já estão no terreno para substituir a estrutura danificada e restaurar o fornecimento em até 10 dias”.

De acordo com a TCN, a torre cedeu devido a fortes ventos e “fadiga estrutural” – uma explicação técnica que, na prática, revela o crônico subinvestimento em manutenção preventiva. A Nigéria, maior economia da África, possui uma capacidade instalada de aproximadamente 13.000 MW, mas raramente consegue gerar mais de 4.000 MW para a rede. O colapso de uma única torre ser capaz de paralisar a transmissão de energia para uma região inteira não é apenas um acidente; é um sintoma de um sistema frágil.

Desde a privatização do setor de geração e distribuição em 2013, a Nigéria adotou um modelo híbrido problemático: a geração e a distribuição foram entregues à iniciativa privada, mas a transmissão permaneceu sob controle estatal por meio da TCN. O resultado é um gargalo crônico. Empresas privadas geram eletricidade, e o governo falha em escoá-la. Na prática, o monopólio público da transmissão tornou-se o principal entrave ao desenvolvimento energético do país.

Por que isso importa A crise em Kebbi não é um evento isolado. Dados do Ministério de Energia da Nigéria indicam que, apenas em 2025, houve 14 colapsos parciais do sistema de transmissão – um número que sinaliza negligência estrutural. Enquanto a TCN culpa o clima e o furto de cabos, analistas de mercado apontam para a falta de concorrência no segmento. Em países como o Brasil, onde a transmissão é majoritariamente operada por concessionárias privadas sob regulação independente, a média de interrupções por falha em torres é 70% menor, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

A demora na resposta também expõe as limitações do Estado. Embora a TCN tenha prometido 10 dias para o reparo, moradores de Kebbi relataram à imprensa local que a região já havia enfrentado apagões prolongados em janeiro deste ano, quando uma torre similar desabou e a reconstrução levou 23 dias. Não há punição ou multa para a estatal quando os prazos não são cumpridos – porque não há órgão regulador independente que a fiscalize com rigor. O consumidor nigeriano, sobretudo o pequeno comerciante e o agricultor rural, é quem arca com o custo da ineficiência.

Análise FORTIS A narrativa oficial de que “culpa é da natureza” ou “dos vândalos” esconde a verdade inconveniente para governos africanos estatistas: o monopólio público da transmissão de energia falha sistematicamente porque não há incentivo à excelência. No setor privado, uma torre caída significa perda de receita imediata, multas regulatórias e risco de perder a concessão. No setor estatal, significa apenas mais um pedido de orçamento extraordinário.

A solução liberal-conservadora para a Nigéria seria clara: separar a transmissão da TCN em uma empresa independente, abrir o capital para investidores privados e criar uma agência reguladora autônoma, nos moldes do que o Chile fez nos anos 80 ou, mais recentemente, o Brasil com a ANEEL. Enquanto a transmissão for tratada como “serviço público” controlado pelo aparelho estatal, os cidadãos de Kebbi continuarão reféns de torres de transmissão que desabam ao primeiro vendaval.

Contraponto indispensável É justo reconhecer que a Nigéria enfrenta desafios geográficos e de segurança incomuns: a sabotagem de infraestrutura elétrica por grupos armados no Delta do Níger e em regiões do noroeste é real. A TCN afirma que 30% dos colapsos registrados em 2025 foram causados por ação criminosa, incluindo roubo de cabos de cobre. Isso, no entanto, não invalida o argumento central. Países com transmissão privada, como o Reino Unido, enfrentam menos de 2% de sabotagem graças a sistemas de vigilância contratuais e seguros obrigatórios que transferem o risco para o operador – e não para o contribuinte.

O debate no Parlamento nigeriano também merece atenção. Em fevereiro, o senador Adamu Aliero (APC-Kebbi) apresentou um projeto para permitir concessões privadas regionais de transmissão. A proposta foi engavetada pela Comissão de Energia, sob o argumento de que “a soberania nacional estaria ameaçada”. Uma visão míope, que, na prática, mantém a soberania apenas sobre apagões e prejuízos econômicos.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.