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Economia

NANS e Universidade de Nasarawa travam batalha por reembolso do NELFUND: transparência ou burocracia?

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

A Associação Nacional de Estudantes Nigerianos (NANS) pressiona a Universidade Federal de Lafia por supostas retenções indevidas de reembolsos do Fundo de Educação Superior da Nigéria (NELFUND). Enquanto a gestão alega atrasos técnicos, liberais conservadores questionam a eficiência do Estado como intermediário financeiro.

A crise no financiamento estudantil na Nigéria ganhou novo capítulo nesta quarta-feira. A Associação Nacional de Estudantes Nigerianos (NANS) realizou uma reunião de emergência com a reitoria da Universidade Federal de Lafia, em Nasarawa, para cobrar a devolução de valores retidos do NELFUND — o fundo federal de empréstimos e bolsas estudantis.

De acordo com comunicado oficial da NANS publicado em suas redes sociais, cerca de 3.500 estudantes aguardam reembolsos que somam aproximadamente 120 milhões de nairas (cerca de R$ 800 mil). A entidade alega que a universidade reteve indevidamente os recursos, que deveriam ter sido creditados diretamente nas contas dos alunos.

A reitora, professora Suleiman Abdul, em declaração à imprensa local, afirmou que o atraso se deve a “problemas técnicos no sistema de verificação de matrículas” e que a instituição já está em contato com a Agência Nacional de Gestão de Empréstimos para Educação (NELFUND) para regularizar a situação. “Não há má-fé, apenas uma questão de compatibilidade de dados”, disse a gestora.

O caso expõe uma fragilidade estrutural do modelo nigeriano de financiamento estudantil. O NELFUND, criado em 2023 para substituir o antigo sistema de bolsas, opera como um intermediário estatal entre o Tesouro e as universidades. Na prática, o dinheiro sai do contribuinte, passa pelo governo federal, chega à universidade e só então é repassado ao estudante. Cada etapa adiciona custo, burocracia e risco de desvio.

A NANS, por sua vez, ameaça paralisar as atividades acadêmicas caso os valores não sejam liberados em 72 horas. “Não aceitaremos que o dinheiro do povo seja usado como instrumento de chantagem burocrática contra os estudantes”, afirmou o presidente da seção local, Ibrahim Musa, em entrevista à Rádio Nasarawa.

Do ponto de vista liberal-conservador, o caso é um exemplo clássico do fracasso do Estado como gestor de recursos. Se o dinheiro fosse transferido diretamente do Tesouro para o estudante — via voucher ou crédito fiscal —, a universidade não teria poder de retenção. O problema não é a falta de verba, mas a ineficiência do modelo centralizado.

Críticos do NELFUND apontam que, desde sua implementação, menos de 40% dos recursos previstos chegaram efetivamente aos alunos. Dados do próprio Ministério da Educação mostram que, em 2024, apenas 1,2 bilhão de nairas dos 3,5 bilhões orçados foram efetivamente desembolsados. O restante ficou retido em processos administrativos.

A universidade, por outro lado, argumenta que a retenção é necessária para evitar fraudes. “Já identificamos casos de estudantes que receberam o benefício e depois trancaram matrícula”, disse o pró-reitor administrativo, Dr. Chinedu Okonkwo, em nota oficial. A alegação é válida, mas revela uma visão paternalista que trata o aluno como incapaz de gerir o próprio recurso.

A solução liberal passaria por desintermediar o processo. Em vez de o Estado gerenciar cada centavo, poderia-se adotar um sistema de crédito educativo com garantia estatal, onde o estudante escolhe a instituição e o curso, e o banco libera o recurso diretamente. Isso reduziria a burocracia e eliminaria o poder de veto das universidades.

Enquanto isso, os estudantes de Nasarawa seguem sem saber quando receberão o que é deles por direito. A reunião de hoje terminou sem acordo formal, e a NANS promete novas manifestações para a próxima semana.

O caso também levanta questões sobre a soberania fiscal da Nigéria. Com uma das maiores cargas tributárias da África Ocidental (cerca de 18% do PIB), o governo federal arrecada bilhões, mas entrega mal. O NELFUND é mais um exemplo de que o problema não é falta de dinheiro, mas gestão ineficiente.

A FORTIS NEWS recomenda que o governo nigeriano avalie modelos alternativos, como os adotados no Chile e na Austrália, onde o financiamento estudantil é feito por meio de contratos privados com garantia pública, sem a intermediação das universidades. Enquanto isso não acontece, o contribuinte paga a conta e o estudante espera.

O caso de Nasarawa não é isolado. Em fevereiro deste ano, a Universidade de Ibadan enfrentou protestos semelhantes. Em maio, foi a vez da Universidade de Benin. O padrão se repete: Estado gasta mal, tributa demais e entrega pouco. A pergunta que fica é: até quando os nigerianos aceitarão esse modelo?

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.