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Economia

Música de Hammerboi coloca cultura do Benin no radar global: livre mercado cultural funciona

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

Em meio ao descaso estatal e à burocracia excessiva, o artista nigeriano Hammerboi prova que o talento individual e a exposição voluntária ao mercado internacional são os verdadeiros motores da projeção cultural — sem depender de subsídios ou políticas públicas.

O músico nigeriano Hammerboi, em declaração recente à imprensa internacional, afirmou que sua música está colocando a cultura do Benin no radar global. A afirmação, antes de ser um ato de vaidade, carrega um dado objetivo: suas canções — que misturam ritmos tradicionais beninenses com afrobeat e pop ocidental — acumulam milhões de streams no Spotify e YouTube, e têm sido tocadas em festivais na Europa e nos Estados Unidos. O que Hammerboi não diz, mas os números mostram, é que esse sucesso ocorreu apesar do governo — e não por causa dele.

A economia criativa na África Ocidental sofre com os mesmos males que assolam o Brasil: alta carga tributária, falta de proteção a direitos autorais e ausência de incentivos reais à produção independente. No Benin e na Nigéria, os artistas enfrentam burocracia alfandegária para circular instrumentos, taxas abusivas sobre shows e um sistema de propriedade intelectual que raramente é respeitado. Hammerboi, porém, utilizou plataformas digitais e parcerias com selos privados para driblar esses entraves. Sua estratégia é um estudo de caso de como o empreendedorismo individual supera o Estado ineficiente.

Por que isso importa? Porque o discurso dominante na esquerda cultural insiste em que a promoção de identidades nacionais depende de subsídios públicos, cotas em rádios e financiamento estatal para festivais. A experiência de Hammerboi mostra exatamente o oposto: quando um artista tem talento, visão de mercado e acesso a ferramentas de distribuição global, as barreiras impostas pelo Estado se tornam apenas obstáculos a serem contornados, não condições indispensáveis. Em vez de esperar por uma lei de incentivo à cultura que nunca sai do papel, Hammerboi simplesmente fez.

Análise FORTIS: O caso de Hammerboi é a prova viva de que o livre mercado é o maior promotor da diversidade cultural que existe. Cada play no exterior é uma exportação não de commodities, mas de identidade. Cada show internacional gera receita que retorna para a economia local sem necessidade de intermediação estatal. Enquanto governos africanos e latino-americanos insistem em tributar shows e instrumentos como se fossem artigos de luxo, artistas como Hammerboi encontram na tecnologia a rota de fuga. A lição para o Brasil é clara: se queremos que nossa cultura alcance o mundo, precisamos reduzir impostos sobre instrumentos, equipamentos e serviços culturais, simplificar a burocracia para turnês e fortalecer o direito de propriedade intelectual — não criar mais editais públicos com viés ideológico.

Contraponto: Críticos podem argumentar que a projeção individual de Hammerboi não substitui políticas de preservação cultural — e estão certos até certo ponto. O patrimônio imaterial do Benin, como as tradições orais e as festas religiosas, não será salvo apenas por playlists. No entanto, a resposta do mercado também pode ser eficaz: parcerias com plataformas como a Netflix e a Disney+ têm financiado documentários e séries sobre culturas ancestrais. Além disso, a própria música de Hammerboi desperta curiosidade sobre o Benin, gerando turismo e interesse acadêmico. O problema não é o mercado, mas a ausência de instituições que protejam direitos autorais e impeçam a apropriação predatória. Cabe ao Estado fazer o mínimo — garantir contratos e combater a pirataria — e deixar o resto com os criadores.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.