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Manchester City sob risco de expulsão? Entenda as 114 acusações e as punições possíveis

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

O clube inglês enfrenta o maior julgamento financeiro da história do futebol. As acusações vão de maquiagem de patrocínios a obstrução de investigação. Especialistas apontam multas bilionárias, perda de títulos e até exclusão da Premier League.

O Manchester City, atual campeão inglês e um dos clubes mais ricos do mundo, está prestes a enfrentar o que pode ser o maior escândalo financeiro da história do futebol. Desde 2018, a Premier League investiga 114 supostas violações das regras de fair play financeiro, cometidas entre 2009 e 2018. O julgamento, que começou em setembro de 2025, pode durar meses e resultar em punições severas.

O caso é complexo. As acusações envolvem supostos patrocínios inflados por empresas ligadas aos proprietários de Abu Dhabi, pagamentos não declarados a jogadores e comissários, e obstrução deliberada das investigações. A Premier League alega que o City teria camuflado investimentos como receitas comerciais para burlar os limites de gastos. O clube nega todas as acusações e contratou um time de advogados de primeira linha, incluindo o renomado barrister Lord Pannick, que já defendeu o clube com sucesso em casos anteriores.

O que está em jogo vai muito além de uma multa. As regras da Premier League preveem desde advertências e multas financeiras até dedução de pontos, proibição de registrar novos jogadores e, em casos extremos, expulsão da competição. Para um clube que fatura mais de £ 700 milhões por ano, uma multa de algumas dezenas de milhões não seria um problema. Mas a perda de títulos — como os seis campeonatos ingleses conquistados desde 2012 — seria um golpe reputacional imenso. Se a comissão independente entender que houve fraude sistêmica, o City pode ser obrigado a devolver troféus e até ser rebaixado.

Por que isso importa para o futebol nigeriano? A Nigéria tem uma enorme comunidade de torcedores do Manchester City, impulsionada pela presença de jogadores como Kelechi Iheanacho, que atuou no clube entre 2015 e 2017, e pela forte cobertura da Premier League no país. Além disso, o caso expõe como o futebol global é moldado por interesses econômicos e políticos de Estados soberanos — no caso, os Emirados Árabes Unidos. O City é visto como um instrumento de soft power de Abu Dhabi, e qualquer punição seria interpretada como um ataque a esse projeto.

Análise FORTIS: O livre mercado no futebol sempre foi um mito. A Premier League, embora privada, impõe regras de fair play que restringem a capacidade de clubes investirem livremente. O City, acusado de burlar essas regras, é ao mesmo tempo vítima e algoz de um sistema que tenta controlar artificialmente a competição. Se as acusações forem provadas, o clube terá agido com má-fé. Mas a pergunta que fica é: por que o Estado (via Premier League) deve dizer quanto um clube pode gastar com seu próprio dinheiro? O fair play financeiro, na prática, protege os clubes estabelecidos contra novos entrantes. É uma barreira de entrada disfarçada de virtude. O City, ao tentar romper essa barreira, cometeu erros — mas o sistema que o acusa também é questionável.

Contraponto: Há quem defenda que as regras de fair play são necessárias para evitar que clubes sejam usados como brinquedos de bilionários ou Estados, criando bolhas financeiras que podem quebrar o futebol. A UEFA, que já puniu o City em 2020 com uma suspensão de dois anos das competições europeias — posteriormente anulada pelo Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) —, argumenta que a integridade das competições depende de todos jogarem com as mesmas regras. O próprio CAS, ao anular a punição, apontou falhas nas provas da UEFA, mas não inocentou o clube. Agora, a Premier League diz ter evidências mais robustas, incluindo e-mails e documentos internos obtidos por meio de invasão hacker.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.