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Economia

Lagos lidera ranking de receita estadual na Nigéria com N1,77 trilhão; Rivers e Enugu completam pódio

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

Dados oficiais de 2025 mostram concentração de receita em estados produtores de petróleo e centros comerciais. A lista expõe a dependência nigeriana de recursos naturais e a ineficiência da máquina pública.

O Escritório Nacional de Estatísticas da Nigéria (NBS) divulgou nesta quarta-feira a tabela completa de receitas estaduais para o exercício de 2025. Lagos, o estado mais populoso e centro econômico do país, lidera com impressionantes N1,77 trilhão (cerca de US$ 2,3 bilhões). Rivers, berço da indústria petrolífera nigeriana, aparece em segundo lugar com N1,12 trilhão, seguido por Enugu, que registrou N890 bilhões. O levantamento consolida dados de arrecadação própria, transferências federais e receitas de fundos especiais.

O resultado não surpreende analistas de mercado. Lagos abriga o principal porto da África Ocidental, concentra 60% da atividade industrial não-petrolífera e responde por mais de 30% do PIB nacional. Sua receita própria — oriunda de impostos estaduais como o imposto sobre vendas e taxas de serviços — representa 72% do total arrecadado, sinal de uma base tributária relativamente diversificada. Rivers, por sua vez, depende fortemente dos royalties do petróleo, que compõem 85% de sua receita total. Enugu, capital do carvão e hoje polo de serviços e agricultura, surpreendeu ao superar estados tradicionalmente mais ricos como Delta e Akwa Ibom.

**Por que isso importa** A tabela de receitas estaduais é um termômetro da saúde fiscal da Nigéria, país que enfrenta uma crise de dívida pública superior a 80% do PIB e inflação acima de 25%. Estados com maior arrecadação própria têm mais autonomia para investir em infraestrutura, educação e segurança — áreas historicamente negligenciadas pelo governo federal. Lagos, por exemplo, conseguiu manter obras de mobilidade urbana e saneamento mesmo durante a recessão de 2023-2024. Já estados como Rivers e Enugu, embora com receitas elevadas, gastam proporcionalmente mais com folha de pagamento e custeio da máquina pública, deixando pouco para investimentos produtivos.

**Análise FORTIS** A lista revela um padrão clássico de economias dependentes de commodities: a receita estadual na Nigéria é altamente concentrada e volátil. Lagos, por ser um hub de serviços e comércio, consegue mitigar choques externos. Rivers, ao contrário, sofreu uma queda de 18% na receita em 2024 quando o preço do barril de petróleo recuou para US$ 70. Enugu, que diversificou sua base econômica com agroindústria e tecnologia, apresentou crescimento real de 12% na arrecadação, o maior entre os dez primeiros colocados. A lição para qualquer estado brasileiro ou latino-americano é evidente: quanto maior a dependência de transferências federais ou de recursos naturais, menor a capacidade de reagir a crises.

Do ponto de vista liberal-conservador, a tabela também expõe o fracasso do modelo centralizador nigeriano. O governo federal retém 52% de toda a receita arrecadada no país, enquanto estados e municípios dividem os 48% restantes. Esse desenho incentiva a irresponsabilidade fiscal dos governos subnacionais, que sabem que podem contar com o socorro de Abuja. Lagos, que há anos briga judicialmente por uma fatia maior do bolo, é a exceção que confirma a regra: só quando há pressão por eficiência e autonomia é que os governos locais se tornam gestores responsáveis.

**Contraponto** Defensores do modelo atual argumentam que a concentração de receitas no governo federal é necessária para equalizar disparidades regionais. Estados do norte, como Borno e Yobe, arrecadam menos de N100 bilhões cada e dependem quase integralmente de transferências para manter serviços básicos. Sem a União, dizem, essas regiões entrariam em colapso. O argumento tem mérito, mas ignora que a própria máquina federal é ineficiente: estima-se que 40% dos recursos transferidos se perdem em corrupção e burocracia. Uma reforma que ampliasse a autonomia tributária dos estados, acompanhada de cortes nos gastos federais, poderia gerar mais crescimento e menos dependência.

**1. Por que Lagos arrecada muito mais que os outros estados?** Lagos é o centro financeiro e logístico da Nigéria. Sua economia é diversificada, com forte presença de bancos, telecomunicações, comércio exterior e serviços. Além disso, o estado implementou uma reforma tributária própria nos anos 2010, modernizando a cobrança de impostos e ampliando a base de contribuintes. Enquanto a média nacional de informalidade é de 80%, em Lagos caiu para 55%, graças a incentivos fiscais e digitalização do sistema.

**2. O que a Nigéria pode aprender com o caso de Enugu?** Enugu mostra que é possível crescer sem depender de petróleo. O estado investiu em zonas econômicas especiais, parques tecnológicos e infraestrutura rural. A receita de impostos sobre serviços saltou 35% entre 2023 e 2025. Para o Brasil, que enfrenta problemas semelhantes de dependência de commodities e má gestão fiscal, o exemplo de Enugu reforça a tese de que menos Estado e mais liberdade econômica geram resultados concretos.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.