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Kwara treina 44 cientistas de laboratório em diagnóstico de malária e tuberculose — e mostra que eficiência não precisa de estado inchado

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

O governo do estado de Kwara, na Nigéria, concluiu o treinamento de 44 cientistas de laboratório para aprimorar o diagnóstico de malária e tuberculose. A iniciativa, bancada com recursos locais e parceria com a OMS, contrasta com o modelo brasileiro de gastos públicos ineficientes e tributação extorsiva.

O governo do estado de Kwara, na Nigéria, concluiu nesta semana o treinamento de 44 cientistas de laboratório para aprimorar o diagnóstico de malária e tuberculose — duas das doenças infecciosas que mais matam no continente africano. A iniciativa, anunciada pelo comissário de Saúde do estado, Dr. Raji Razaq, em publicação nas redes sociais, foi realizada em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Programa Nacional de Controle da Malária.

O treinamento, que durou cinco dias, abordou técnicas de microscopia, teste rápido e biossegurança. Segundo Razaq, em declaração à imprensa nigeriana, o objetivo é reduzir o tempo entre a coleta da amostra e o resultado, que hoje leva em média 72 horas em áreas rurais. "Com laboratoristas melhor treinados, podemos diagnosticar em até 24 horas e iniciar o tratamento mais cedo", disse o comissário.

Kwara é um estado de médio porte no centro-oeste da Nigéria, com cerca de 3,5 milhões de habitantes e um orçamento anual de aproximadamente 180 bilhões de nairas (cerca de R$ 1,5 bilhão). O custo total do treinamento não foi divulgado, mas fontes locais estimam que não ultrapassou 15 milhões de nairas (aproximadamente R$ 125 mil). O valor é irrisório para os padrões brasileiros, onde um curso de capacitação similar, em um hospital público federal, pode custar até R$ 500 mil quando inclui diárias, passagens e horas extras de servidores.

Por que isso importa: o caso de Kwara é um exemplo de que eficiência na saúde pública não depende de orçamentos faraônicos, mas de gestão focada e parcerias estratégicas. Enquanto o Brasil gasta, por ano, mais de R$ 200 bilhões no Sistema Único de Saúde (SUS) — com resultados pífios em indicadores como tempo de espera para consultas e taxa de mortalidade por doenças tratáveis —, um estado nigeriano com recursos ínfimos consegue treinar 44 profissionais em uma semana e promete reduzir o tempo de diagnóstico de malária pela metade.

A malária mata cerca de 600 mil pessoas por ano no mundo, 95% delas na África. A tuberculose, por sua vez, é a segunda maior causa de morte por doença infecciosa no continente, atrás apenas da Covid-19. Na Nigéria, ambos os males são endêmicos e agravados pela infraestrutura precária de saúde. O treinamento em Kwara, portanto, não é um luxo: é uma questão de sobrevivência para milhares de pessoas.

Análise FORTIS: a iniciativa de Kwara merece elogios, mas também levanta questões sobre a sustentabilidade de programas de saúde pública em países com estados frágeis. A Nigéria gasta cerca de 4% do PIB em saúde, abaixo dos 9% recomendados pela OMS e muito abaixo dos 10% que o Brasil gasta. No entanto, o resultado per capita nigeriano é pior: a expectativa de vida no país é de 55 anos, contra 76 anos no Brasil. Isso mostra que, embora a eficiência local seja louvável, ela não substitui a necessidade de investimentos estruturais.

O ponto central, porém, é que o modelo brasileiro — estado grande, tributação alta e má gestão — não é a única via. Kwara demonstra que, com foco, parcerias e controle de gastos, é possível melhorar indicadores mesmo com orçamento apertado. O Brasil, que tributa 34% do PIB e entrega serviços de saúde medíocres, deveria aprender com exemplos como este, em vez de insistir no discurso de que "falta dinheiro".

Contraponto: críticos podem argumentar que comparar a Nigéria ao Brasil é injusto, dado o nível de desenvolvimento e a complexidade do SUS. De fato, a Nigéria tem um dos piores sistemas de saúde do mundo, com 0,4 médicos por mil habitantes (contra 2,3 no Brasil). No entanto, o que se destaca em Kwara não é o sistema como um todo, mas a capacidade de executar uma política específica com recursos limitados. Se um estado nigeriano consegue treinar 44 cientistas em uma semana com R$ 125 mil, por que um hospital universitário brasileiro precisa de R$ 2 milhões para fazer o mesmo? A resposta está na burocracia, nos supersalários e na falta de accountability.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.