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Economia

KEDCO explica apagão em oito LGAs de Kano: falha na transmissão e crise de gás expõem fragilidade do setor elétrico nigeriano

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

A Kano Electricity Distribution Company (KEDCO) atribuiu o apagão que afetou oito áreas de governo local (LGAs) do estado a uma combinação de colapso na rede de transmissão nacional e escassez de gás natural. O episódio reacende o debate sobre os limites da privatização sem reformas estruturais no setor elétrico da Nigéria.

A Kano Electricity Distribution Company (KEDCO) emitiu na última segunda-feira uma nota oficial esclarecendo as causas do apagão que deixou sem energia elétrica, por mais de 48 horas, oito Áreas de Governo Local (LGAs) no estado de Kano. Segundo o comunicado, a interrupção foi provocada por uma falha na linha de transmissão de 330 kV operada pela Transmission Company of Nigeria (TCN), aliada a uma redução crítica no fornecimento de gás natural às usinas termelétricas.

O apagão afetou diretamente mais de 2 milhões de consumidores, incluindo residências, pequenos negócios e unidades industriais nos LGAs de Kano Municipal, Fagge, Tarauni, Dala, Gwale, Kumbotso, Ungogo e Nasarawa. A KEDCO informou que equipes técnicas já estão trabalhando em conjunto com a TCN para restabelecer o serviço, mas não apresentou uma previsão definitiva para a normalização completa.

Contexto: a crise estrutural do setor elétrico nigeriano A Nigéria possui uma das maiores carências de infraestrutura elétrica do mundo, com capacidade instalada de cerca de 13 GW, dos quais apenas 4 a 5 GW são efetivamente gerados em média. O país privatizou a geração e distribuição de energia em 2013, mas manteve a transmissão sob controle estatal via TCN. O modelo híbrido nunca conseguiu atrair investimentos suficientes para modernizar a rede.

Dados oficiais da Comissão Reguladora de Eletricidade da Nigéria (NERC) indicam que, nos primeiros seis meses de 2025, o país registrou mais de 120 colapsos parciais ou totais do sistema de transmissão. A dependência de gás natural — que alimenta cerca de 80% da geração térmica — é agravada por sabotagens em gasodutos, falta de manutenção e atrasos nos pagamentos das distribuidoras aos produtores de gás.

Por que isso importa: o custo do Estado grande e ineficiente O apagão em Kano ilustra perfeitamente o fracasso do modelo estatista-intervencionista que ainda impera no setor elétrico nigeriano. Apesar da privatização das distribuidoras, o monopólio estatal sobre a transmissão e a regulação excessiva da NERC impedem que o mercado funcione com eficiência. A KEDCO, como empresa privada, é refém de uma infraestrutura pública quebrada.

O governo federal nigeriano gasta bilhões de nairas anualmente em subsídios cruzados e tarifas artificialmente baixas, que desestimulam investimentos e geram déficits crônicos. Em vez de permitir que os preços reflitam os custos e atraiam capital privado para geração e transmissão, o Estado prefere manter o controle político sobre as tarifas — e o resultado são apagões recorrentes que travam o desenvolvimento econômico.

Análise FORTIS: livre mercado é a saída, mas falta vontade política Para o FORTIS NEWS, a solução passa por três pilares: separar completamente a transmissão do Estado, criar um mercado atacadista de energia com preços livres e eliminar subsídios distorcivos. A experiência de países como o Brasil, que privatizou grande parte do setor elétrico nos anos 1990, mostra que a competição e a regulação independente podem reduzir apagões e atrair investimentos.

Na Nigéria, no entanto, a classe política resiste a reformas profundas por receio de perder poder e influência. A KEDCO, ao explicar o apagão, indiretamente expõe que sua capacidade de ação é limitada: ela pode distribuir, mas não controla a geração nem a transmissão. Enquanto o governo federal não abrir mão do monopólio da TCN e não permitir que o gás seja precificado livremente, apagões como este se repetirão.

Contraponto: a visão dos defensores do controle estatal Setores ligados ao governo nigeriano argumentam que a privatização das distribuidoras já foi um erro, pois empresas como a KEDCO não cumprem metas de melhoria da rede e ainda repassam custos ao consumidor. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores do Setor Elétrico (NUEE), a culpa pelo apagão é da má gestão privada, que não investe em manutenção preventiva.

No entanto, dados da NERC mostram que as distribuidoras privadas aumentaram a arrecadação e reduziram perdas técnicas em 15% desde 2020, enquanto a TCN estatal viu suas falhas de transmissão crescerem 40% no mesmo período. A evidência empírica aponta que o gargalo não está na distribuição, mas no elo que o governo se recusa a privatizar.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.