A Dangote Cement, maior produtora de cimento da África, anunciou nesta quarta-feira que a planta de Itori, no estado de Ogun, atingiu capacidade plena de produção e já responde por 40% do total de exportações da empresa no último trimestre. Em comunicado oficial, a companhia informou que as remessas para Gana, Costa do Marfim e Camarões cresceram 35% em relação ao ano anterior, impulsionadas pela redução de custos logísticos obtida com a localização estratégica da fábrica – próxima ao porto de Lagos e a rodovias que ligam o interior ao litoral.
O feito reforça a tese de que a iniciativa privada, quando livre de amarras estatais, é capaz de gerar crescimento real. A planta de Itori, inaugurada em 2023 com capacidade de 3 milhões de toneladas anuais, foi financiada integralmente pelo grupo Dangote, sem subsídios diretos do governo nigeriano. Segundo dados da Associação Nigeriana de Cimento (NCA, na sigla em inglês), o setor responde por 5% do PIB nacional e emprega diretamente mais de 50 mil pessoas. A expansão das exportações, no entanto, poderia ser ainda maior se não fosse o peso do Estado.
A Nigéria enfrenta uma crise cambial crônica, com o naira desvalorizado mais de 60% nos últimos dois anos. O governo, em vez de liberalizar o câmbio e cortar gastos, mantém controles artificiais que encarecem insumos importados, como o gesso e o carvão usados na produção de cimento. Em publicação nas redes sociais, o economista nigeriano Bismarck Rewane destacou que “a Dangote Cement está competindo globalmente apesar do governo, não graças a ele”. Dados da Agência Nacional de Estatísticas (NBS) mostram que a carga tributária efetiva sobre o setor industrial nigeriano é de 32%, uma das mais altas da África Subsaariana.
Por que isso importa para o Brasil e para a América Latina? O caso ilustra como o excesso de intervenção estatal sufoca setores estratégicos. Enquanto a Nigéria insiste em política cambial restritiva e tributos elevados, o livre mercado – personificado pela gestão privada da Dangote – demonstra que é possível gerar divisas e reduzir a dependência do petróleo. A planta de Itori, por exemplo, opera com geradores próprios a gás porque o fornecimento público de energia elétrica é intermitente e caro. Em nota oficial, a Dangote afirmou que investiu US$ 200 milhões em infraestrutura energética privada para garantir a produção ininterrupta.
Análise FORTIS: O sucesso da Dangote Cement em Itori é a prova viva de que o mercado, quando deixado funcionar, supera a ineficiência estatal. O governo nigeriano, ao tributar demais e entregar infraestrutura precária, age como um freio ao desenvolvimento. A expansão das exportações poderia ser o dobro se o Estado reduzisse a burocracia portuária e simplificasse o regime cambial. Dados do Banco Mundial indicam que a Nigéria ocupa a 131ª posição no ranking de facilidade de fazer negócios, atrás de países como Ruanda e Quênia. A verdade factual é que a Dangote cresce apesar do governo, não por causa dele.
Contraponto: Críticos, como a organização ambientalista Greenpeace África, apontam que a produção de cimento é responsável por 8% das emissões globais de CO2 e que a planta de Itori não adota tecnologias de captura de carbono. Em relatório de 2025, a ONG afirmou que “a expansão das exportações de cimento nigeriano agrava a crise climática”. No entanto, os dados oficiais mostram que a Dangote Cement investiu US$ 50 milhões em eficiência energética nos últimos dois anos, reduzindo em 12% as emissões por tonelada produzida. A crítica ambiental, embora relevante, não invalida o mérito econômico da iniciativa privada.
Por Renan Filho · 2026-09-24