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Seguranca

Hackers subtraem US$ 351,6 milhões de carteiras da Bitget em operação direcionada à Nigéria

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

A exchange de criptomoedas Bitget confirmou nesta quinta-feira, 25 de setembro, o roubo de aproximadamente US$ 351,6 milhões de carteiras de usuários nigerianos, em um dos maiores ataques cibernéticos do ano. O incidente expõe fragilidades na custódia de ativos digitais e reacende o debate sobre regulação versus responsabilidade do mercado.

Em comunicado oficial divulgado na tarde de hoje, a exchange de criptoativos Bitget informou que hackers conseguiram acessar múltiplas carteiras com fundos de usuários localizados na Nigéria. O montante subtraído, US$ 351,6 milhões, representa parte significativa das reservas da plataforma no país africano. A empresa afirma já ter identificado as vulnerabilidades exploradas e iniciado procedimentos de rastreamento dos ativos, em colaboração com autoridades locais e internacionais.

De acordo com a Bitget, o ataque foi direcionado a contas que utilizavam autenticação de dois fatores (2FA) via SMS, método que, segundo analistas de segurança ouvidos pelo FORTIS NEWS, é cada vez mais vulnerável a ataques de troca de SIM (SIM swap). A operação teria sido orquestrada por um grupo especializado em engenharia social, que primeiro obteve dados pessoais dos usuários nigerianos por meio de vazamentos anteriores e, em seguida, convenceu operadoras de telefonia a transferir os números para chips controlados pelos criminosos.

A Nigéria é um dos maiores mercados de criptomoedas do mundo, impulsionado por uma moeda local (naira) que perdeu mais de 70% de seu valor frente ao dólar nos últimos cinco anos, conforme dados do Banco Central da Nigéria. Milhões de nigerianos recorrem a exchanges como Bitget para enviar remessas, fazer pagamentos internacionais e proteger sua poupança da inflação galopante. Esse contexto torna o país um alvo prioritário para criminosos cibernéticos, que sabem que muitas vítimas têm grande parte de seu patrimônio em ativos digitais.

Por que isso importa? O incidente levanta questões urgentes sobre a segurança de ativos mantidos em exchanges centralizadas. Embora a Bitget tenha se comprometido a reembolsar integralmente os usuários afetados — conforme afirmou em publicação no X (antigo Twitter) —, o episódio mostra que a confiança no modelo de custódia de terceiros pode ser frágil. Para muitos investidores, a promessa de reembolso depende da saúde financeira da exchange, que já vinha sendo questionada por relatórios não auditados de suas reservas, como apontou o analista on-chain CryptoQuant em julho deste ano.

Análise FORTIS: O caso reforça a importância da autocustódia e de soluções descentralizadas, que estão alinhadas com o princípio do livre mercado, em que a responsabilidade pela segurança recai sobre o indivíduo, não sobre o Estado. No entanto, essa narrativa não exime as empresas de adotarem as melhores práticas de segurança. A Bitget, ao centralizar a custódia, assumiu o dever fiduciário de proteger os ativos. A falha não é do mercado, mas da gestão de riscos da empresa. A solução não é pedir mais regulação estatal — que na Nigéria frequentemente cria obstáculos sem resolver problemas reais — mas sim incentivar a concorrência entre exchanges que ofereçam garantias reais, seguros cibernéticos e transparência verificável.

Contraponto: Críticos do setor não regulado argumentam que o ataque justifica uma intervenção estatal mais dura. O governo nigeriano, por meio da Securities and Exchange Commission (SEC), já vinha tentando impor regras mais rígidas para exchanges, incluindo exigências de capital mínimo e reportes trimestrais de reservas. No entanto, como destacou o economista nigeriano Kalu Aja em entrevista à Rádio Lagos, “regular não significa proteger. O banco central da Nigéria perdeu bilhões em esquemas de corrupção; por que confiar que ele vai proteger melhor os criptoativos?”. A história mostra que a regulação muitas vezes é usada para controlar e tributar, não para proteger o consumidor.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.