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Galadima joga a toalha: 'Só Deus e Tinubu sabem o que virá em 2027' — e a oposição nigeriana se rende ao realismo político

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

Em declaração contundente à imprensa nigeriana, o veterano político Buba Galadima afirmou que o futuro das eleições de 2027 está nas mãos de Deus e do presidente Bola Tinubu. A fala expõe o esvaziamento da oposição e a consolidação do poder no país mais populoso da África.

O político nigeriano Buba Galadima, ex-membro do Partido Democrático Popular (PDP) e figura histórica da oposição, declarou nesta semana que o cenário eleitoral de 2027 é uma incógnita que só pode ser desvendada por duas forças: Deus e o presidente Bola Tinubu. A frase, dita em entrevista à rádio local Channels TV, foi interpretada por analistas como um reconhecimento tácito da fragilidade da oposição organizada e da capacidade do atual governo de controlar os rumos do país.

“Only God and Tinubu know what will happen in 2027”, afirmou Galadima, segundo transcrição divulgada pelo portal Premium Times. A declaração não é uma previsão, mas uma constatação do realismo político que domina a Nigéria: o partido no poder, o Congresso de Todos os Progressistas (APC), tem demonstrado força institucional, controle sobre a máquina estatal e capacidade de articulação com elites regionais que tornam qualquer desafio eleitoral uma aposta de alto risco.

Galadima, que já foi aliado do ex-presidente Goodluck Jonathan e crítico ferrenho do governo Muhammadu Buhari, agora parece reconhecer que a oposição nigeriana está desunida, sem liderança clara e sem propostas que superem o pragmatismo do atual governo. “A oposição precisa se reorganizar, mas não vejo ninguém com estatura para enfrentar Tinubu em 2027”, completou o político, em tom de desabafo.

A fala ocorre em um momento em que a Nigéria enfrenta desafios econômicos severos — inflação acima de 30%, desemprego jovem recorde e uma crise cambial que desvalorizou a naira em mais de 60% desde 2023. Apesar disso, Tinubu mantém aprovação razoável entre setores do empresariado e das elites regionais do norte e do sudoeste, graças a reformas liberalizantes como o fim dos subsídios aos combustíveis e a unificação cambial.

Para o FORTIS NEWS, a declaração de Galadima é um exemplo raro de honestidade intelectual em um ambiente político dominado por discursos ufanistas e promessas vazias. O político não mente: em uma democracia com instituições frágeis, alta dependência de recursos naturais e forte personalização do poder, o futuro eleitoral realmente depende de dois fatores: a vontade divina (leia-se: imponderáveis) e a vontade do presidente (leia-se: controle da máquina).

Do ponto de vista liberal-conservador, o problema não é a declaração em si, mas o que ela revela sobre o estado nigeriano. Um país onde o chefe do Executivo pode, sozinho, determinar o resultado de uma eleição — ou onde a oposição se sente impotente para mudar essa realidade — é um país que ainda não completou a transição para uma democracia de mercado funcional. A Nigéria gasta mal, tributa demais (para os padrões africanos) e entrega pouco: estradas precárias, eletricidade intermitente, segurança pública deficiente.

O contraponto necessário: há quem veja na declaração de Galadima não um ato de rendição, mas uma crítica indireta ao autoritarismo crescente do governo Tinubu. Opositores mais jovens, como o ativista Omoyele Sowore, argumentam que a fala do veterano é uma admissão de que a oposição tradicional perdeu a capacidade de mobilização popular. “Galadima está certo: só Deus e Tinubu sabem. Mas Deus não vota. O povo vota”, escreveu Sowore em sua conta no X (antigo Twitter).

A verdade factual, no entanto, é que as pesquisas de opinião disponíveis — como as do Afrobarometer e do NOI Polls — indicam que a confiança da população nas instituições eleitorais segue baixa, mas a intenção de voto em Tinubu, embora em queda, ainda supera a de qualquer nome da oposição. Sem uma coalizão forte e um programa crível de redução do Estado e estímulo ao empreendedorismo, a oposição continuará refém do realismo de Galadima.

Para o leitor do FORTIS, a lição é clara: democracia sem Estado de Direito, sem separação real de poderes e sem liberdade econômica é apenas uma disputa de elites pelo controle do orçamento público. A Nigéria de 2027 será o espelho do que o país fizer hoje — e, pelo visto, a oposição prefere esperar que Deus e Tinubu resolvam.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.