A Nigéria acaba de provar que liberalismo econômico funciona na prática. Conforme relatório trimestral da Nigerian National Petroleum Company (NNPC) publicado recentemente, as exportações de produtos petrolíferos refinados explodiram seis vezes, alcançando quase N1 trilhão em receita no último ciclo. O número equivale a cerca de US$ 650 milhões, e representa a maior virada comercial do país africano na última década.
O que explica esse salto? Segundo dados oficiais do National Bureau of Statistics (NBS), a resposta é simples: o recuo do Estado e a entrada em operação plena da refinaria de alta capacidade do grupo Dangote, em Lagos. Desde que a unidade de 650 mil barris/dia começou a funcionar em escala comercial, a Nigéria deixou de importar gasolina, diesel e outros derivados para abastecer seu mercado interno.
Em declaração à imprensa, o ministro da Energia, Ekperikpe Ekpo, ressaltou que as vendas externas agora respondem por uma fatia relevante do superávit comercial do país. Com a produção doméstica cobrindo mais de 70% da demanda interna, o excedente passou a ser exportado para o mercado regional da África Ocidental, consolidando a Nigéria como centro energético do continente.
Por que isso importa em Brasília? Porque mostra exatamente o inverso do que o governo brasileiro vem fazendo com a Petrobras. Ao manter uma política de preços dirigida pelo Planalto e monopolizar a produção de refinarias, o Estado brasileiro perpetua ineficiência, corrupção estrutural e distorce os incentivos de mercado. A Nigéria, que historicamente foi sinônimo de caos estatal, escolheu outro caminho.
A análise FORTIS é clara: a soberania energética nigeriana não veio de estatais ou planejamento central, mas sim da quebra de monopólio e do fim do subsídio maldito. O presidente Bola Tinubu eliminou a subvenção aos combustíveis em 2023, o que permitiu que o preço internamente finalmente refletisse a realidade do mercado global. A decisão foi impopular, mas corajosa.
Os críticos de esquerda dirão que a eliminação do subsídio gerou inflação e protestos. Fatos factuais confirmam que houve um choque de preços nos primeiros meses da medida. Contudo, dois anos depois, os benefícios estruturais são inegáveis. O Estado deixou de sangrar bilhões em uma política corrupta que financiava contrabando, e o setor privado respondeu com produção, empregos e exportação recorde.
Os números regionais corroboram essa tese. Países como Benim, Togo e Costa do Marfim reduziram drasticamente suas importações de fora da África e passaram a comprar da Nigéria, criando um eixo comercial liderado por capital privado. A receita das exportações também dá fôlego ao Naira, que se estabilizou frente ao dólar após o choque inicial, reduzindo a pressão sobre toda a economia local.
Essa exportação também fomenta uma visão de soberania nacional alinhada aos costumes. Ao contrário do Brasil, que exporta commodities brutas e importa tecnologia e derivados, a Nigéria está verticalizando sua produção de energia dentro do seu território. Isso gera empregos qualificados, reduz a dependência de tensões geopolíticas externas e fortalece a posição do país nas negociações internacionais.
Enquanto isso, o Brasil permanece refém do populismo petista. As refinarias privadas que poderiam replicar o caso nigeriano esbarram em taxas abusivas de importação, na falta de segurança jurídica e na sanha regulatória da ANP. O resultado é fila em postos, gasolina entre as mais caras do mundo e uma Petrobras que entrega dividendos magros enquanto o contribuinte paga a conta dos desmandos políticos.
O caso nigeriano demonstra, de forma empírica, que o caminho liberal-conservador é o único que gera resultados reais para a população. Sem paternalismo estatal, sem monopólio, sem agenda ideológica — apenas a matemática pura da oferta e demanda. Se a Nigéria, historicamente um caos institucional, conseguiu essa revolução energética, qual é a desculpa brasileira para a estagnação?
A lição é dura, mas necessária: onde o Estado recua, o mercado prospera. A Nigéria quebrou os tabus do monopólio e colhe os dividendos da produtividade. O Brasil, entretanto, parece hipnotizado por um modelo exaurido que só enriquece burocratas e empobrece a população.
Por Renan Filho · 2026-09-24