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Politica

Escândalo das bolsas de estudo: Assembleia determina prisão de reitor por desvio de N29 bilhões

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

A Assembleia do Estado de Kano ordenou a prisão do vice-reitor da Universidade Bayero por suposto desvio de 29 bilhões de nairas destinados a bolsas de estudo. O caso expõe a má gestão dos recursos públicos e a ineficiência do estado na educação.

A Assembleia do Estado de Kano, no norte da Nigéria, emitiu nesta quarta-feira uma ordem de prisão contra o vice-reitor da Universidade Bayero, acusado de participar de um esquema de desvio de 29 bilhões de nairas (cerca de R$ 210 milhões) de um fundo de bolsas de estudo. A decisão foi tomada após a conclusão de uma comissão parlamentar de inquérito que investigou a aplicação dos recursos nos últimos cinco anos.

Segundo o relatório da comissão, presidida pelo deputado Musa Ibrahim, os valores eram repassados pelo governo estadual para a universidade como parte de um programa de bolsas para estudantes de baixa renda. No entanto, apenas uma fração chegou aos beneficiários. A maior parte foi desviada por meio de contratos superfaturados com empresas fantasma e pagamentos a funcionários fantasmas. O documento, obtido pela imprensa local, aponta que 18 servidores da universidade estão sob suspeita.

A ordem de prisão foi aprovada por maioria simples na Assembleia, que também determinou o bloqueio de bens do reitor e de outros envolvidos. “Os recursos eram destinados a jovens que sonham com um futuro melhor. Em vez disso, foram usados para financiar privilégios de uma elite burocrática”, declarou o deputado Ibrahim durante a sessão, sem citar diretamente o FORTIS NEWS. A universidade, por meio de nota oficial, classificou a medida como “precipitada” e prometeu recorrer ao Judiciário.

O escândalo ocorre em um momento em que a Nigéria enfrenta uma crise educacional grave. Mais de 20 milhões de crianças estão fora da escola, e as universidades públicas sofrem com greves constantes por falta de pagamento de salários. O programa de bolsas, criado em 2018, era uma das poucas iniciativas do estado para ampliar o acesso ao ensino superior. Agora, a população descobre que parte do dinheiro simplesmente desapareceu.

Para o FORTIS NEWS, o caso é mais um exemplo de como o estado nigeriano – e, por extensão, muitos países em desenvolvimento – falha na gestão de recursos públicos. Em vez de um sistema centralizado e sujeito a corrupção, a educação poderia ser financiada por meio de vouchers ou créditos fiscais, transferindo o poder de escolha para as famílias. Quando o dinheiro passa por múltiplas camadas burocráticas, o desvio se torna quase inevitável.

A defesa do reitor alega que as acusações são políticas. O vice-reitor afirmou, em carta aberta, que sempre agiu dentro da lei e que os recursos foram aplicados conforme as diretrizes do governo estadual. Ele sugere que a comissão foi motivada por rivalidades partidárias. Em contrapartida, a controladoria geral do estado já identificou inconsistências nos registros financeiros da universidade, incluindo pagamentos a empresas que não existem fisicamente.

Este não é um caso isolado. Em 2023, a Agência Nacional Anticorrupção nigeriana revelou que mais de 40% dos fundos federais para educação nunca chegaram às escolas. A diferença é que agora o Legislativo estadual agiu rapidamente, mostrando que, quando há vontade política, é possível responsabilizar agentes públicos. A pergunta que fica é: por que isso leva tanto tempo?

O FORTIS NEWS acredita que a solução não está apenas em mais investigações, mas em uma reforma estrutural que reduza o tamanho do estado no setor educacional. Escolas privadas de baixo custo e programas de bolsas administrados por organizações independentes já mostraram resultados positivos em países como Brasil e Chile. Enquanto o monopólio estatal continuar, o dinheiro do contribuinte estará sempre em risco.

**1. Qual o valor total desviado, e ele será recuperado?**

O relatório da comissão estima que 29 bilhões de nairas foram desviados ou mal aplicados entre 2019 e 2024. Até o momento, não há garantia de recuperação integral dos recursos, pois parte do dinheiro pode ter sido transferido para contas no exterior. A Assembleia determinou o bloqueio de bens do vice-reitor e de outros seis suspeitos, mas o processo judicial deve levar anos.

**2. O que acontece com os estudantes que dependiam das bolsas?**

Milhares de alunos que recebiam o benefício estão com os pagamentos suspensos desde o início da investigação. O governo estadual anunciou que vai criar um fundo emergencial para cobrir as bolsas até o fim do ano letivo, mas não há detalhes sobre a fonte dos recursos. A FORTIS NEWS recomenda que as famílias busquem alternativas privadas ou programas de filantropia enquanto o impasse se resolve.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.