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Internacional

Enchentes em Anambra: esposa do governador Soludo pede vigilância; especialistas cobram infraestrutura

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-23

Nonye Soludo, esposa do governador do estado de Anambra, na Nigéria, pediu que moradores de áreas de risco fiquem alertas e tomem precauções diante do aumento do nível dos rios. Apesar da importância do aviso, a ausência de investimentos em drenagem e contenção expõe a fragilidade de um Estado que gasta mal e tributa demais.

Enquanto as chuvas torrenciais castigam o sul da Nigéria, a atenção se volta para Anambra, estado banhado pelo rio Níger. Em publicação nas redes sociais, Nonye Soludo — esposa do governador Charles Soludo — apelou à população: “Fiquem vigilantes. Tomem medidas preventivas. A vida não tem preço”. O tom paternalista, embora bem-intencionado, escancara um problema crônico: a incapacidade do poder público de proteger seus cidadãos com obras estruturantes.

O alerta ocorre em meio à previsão da Agência Nacional de Meteorologia da Nigéria (NiMet) de chuvas acima da média para a região. Nos últimos anos, enchentes deslocaram milhares de famílias em estados como Anambra, Delta e Bayelsa. Em 2022, o desastre afetou mais de 2 milhões de pessoas em todo o país. A tragédia não é natural — é o resultado de décadas de desvio de verbas públicas, corrupção e planejamento urbano negligente.

Por que isso importa: O discurso de “vigilância” individual transfere ao cidadão a responsabilidade que deveria ser do Estado. Em um país onde a carga tributária sobre a população formal chega a 30% do PIB — e onde a receita do petróleo financia um governo inchado —, a ausência de canais, diques e sistemas de alerta eficazes é inaceitável. A família Soludo, que governa Anambra desde 2022, prometeu no início do mandato um plano mestre de controle de enchentes, mas até agora pouco se viu além de discursos.

Análise FORTIS: A mensagem de Nonye Soludo não está errada nos fatos — é sensato recomendar cautela. Porém, a omissão de qualquer crítica à lentidão das obras públicas revela um viés de complacência com o próprio governo. O liberal-conservadorismo defende que o Estado deve cumprir suas funções mínimas com eficiência. Proteger a vida e a propriedade contra desastres previsíveis é uma delas. A ausência de resultados concretos em infraestrutura hídrica em Anambra é um exemplo clássico de gasto público mal direcionado: o governo arrecada com impostos e taxas, mas entrega burocracia e ausência.

Dados oficiais do Escritório de Estatísticas da Nigéria mostram que, entre 2019 e 2023, apenas 12% do orçamento federal para controle de enchentes foi efetivamente executado. O restante sumiu em “despesas administrativas” ou simplesmente não foi gasto. Em Anambra, a situação se repete: o governo estadual destinou 3,2 bilhões de nairas (cerca de 18 milhões de reais) para obras de drenagem em 2024, mas, segundo relatórios de acompanhamento, menos da metade foi liberado. Enquanto isso, a população é orientada a “ficar vigilante”.

Contraponto: Organizações de direitos humanos e grupos comunitários, como a Anambra State Emergency Management Agency (SEMA), argumentam que as campanhas de prevenção salvaram vidas em 2023, reduzindo mortes em 40% em relação ao ano anterior. Reconhece-se que, sem a conscientização, o cenário poderia ser pior. Ainda assim, a ressalva é clara: a mudança estrutural — dragagem de rios, construção de diques e reassentamento de moradores de áreas de risco — não pode ser substituída por panfletos e posts em redes sociais.

No campo das soluções liberais, a ausência de um mercado de seguros acessível agrava o problema. Na Nigéria, menos de 1% dos domicílios possui seguro contra enchentes, segundo a Comissão Nacional de Seguros. A regulação estatal, que exige licenças caras e burocracia excessiva, sufoca a oferta de seguradoras privadas. Um ambiente de livre mercado, com contratos voluntários e preços competitivos, permitiria que as famílias se protegessem financeiramente — reduzindo a dependência de auxílios emergenciais ineficientes.

A esposa do governador acertou ao pedir atenção. Errou ao não cobrar do marido e da máquina pública ações concretas. O cidadão que paga impostos merece mais do que conselhos: merece diques, drenos e uma burocracia que funcione. Enquanto o Estado nigeriano continuar gastando mal — com salários de políticos, subsídios a combustíveis e festivais —, as chuvas continuarão a ceifar vidas e destruir patrimônios. A verdade factual é que o alerta não substitui a obra.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.