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Economia

Elumelu pede fim da dependência de ajuda externa e defende comércio como motor da África na Assembleia da ONU

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-23

Bilionário nigeriano Tony Elumelu criticou o modelo assistencialista de desenvolvimento e defendeu que o continente africano precisa de investimento privado, infraestrutura e livre mercado para gerar prosperidade real.

O empresário nigeriano Tony Elumelu, chairman do United Bank for Africa (UBA) e uma das vozes mais influentes do setor privado no continente, fez um discurso contundente na 79ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta quarta-feira (23). Em sua fala, Elumelu pediu uma mudança estrutural na relação entre o Ocidente e a África: o fim do modelo baseado em ajuda humanitária e a adoção de uma agenda focada em comércio, investimento privado e parcerias econômicas reais.

Segundo o empresário, em declaração à imprensa durante o evento, os países africanos precisam deixar de ser vistos como recipientes de caridade internacional e passar a ser tratados como parceiros comerciais viáveis. Ele argumentou que a ajuda externa, embora bem-intencionada, cria ciclos de dependência e não gera desenvolvimento sustentável. A fala de Elumelu ecoa um sentimento crescente entre lideranças do continente, que veem no livre mercado a única saída para a pobreza crônica.

"A África não precisa de esmolas. Precisa de capital paciente, de infraestrutura e de um ambiente de negócios que permita que seus empreendedores prosperem", afirmou Elumelu, em publicação nas redes sociais após o evento. Para ele, a transição de uma economia baseada em commodities para uma economia industrializada e digital passa obrigatoriamente pela redução do Estado e pela abertura comercial.

O discurso de Elumelu ganha relevância em um momento em que a Nigéria, maior economia do continente, enfrenta uma crise cambial severa e uma inflação de dois dígitos. O país, que há décadas depende da exportação de petróleo, tenta diversificar sua base produtiva, mas esbarra em burocracia, corrupção e instabilidade regulatória. O empresário sugeriu que os governos africanos devem adotar reformas pró-mercado, como cortes de impostos sobre empresas, desburocratização e garantias de propriedade privada.

A crítica ao modelo assistencialista não é nova, mas ganhou força com o fracasso de décadas de ajuda internacional. Dados do Banco Mundial mostram que, entre 2000 e 2020, a África Subsaariana recebeu mais de US$ 600 bilhões em ajuda externa, mas o PIB per capita médio da região cresceu apenas 1,2% ao ano no período. Enquanto isso, países como Vietnã e Bangladesh, que apostaram em comércio e investimento estrangeiro, tiveram crescimentos superiores a 5% ao ano no mesmo período.

A posição de Elumelu também reflete uma visão liberal-conservadora de desenvolvimento, que prioriza a iniciativa privada e a liberdade econômica em detrimento de políticas estatais centralizadoras. Para ele, o Estado africano historicamente gasta mal, tributa demais e entrega pouco. O resultado é uma população jovem e empreendedora que enfrenta barreiras intransponíveis para abrir e manter negócios.

No entanto, a proposta de Elumelu enfrenta críticas de setores que defendem maior intervenção estatal. Para organizações como a Oxfam e a UNCTAD, a abertura comercial sem regulação pode aprofundar a desigualdade e a dependência externa. Elas argumentam que a África precisa de proteção para suas indústrias nascentes e de mecanismos de transferência de tecnologia. O contra-argumento liberal, porém, é que o protecionismo histórico dos países africanos não gerou industrialização, mas sim estagnação e corrupção.

O debate é particularmente relevante para o Brasil, que busca ampliar sua presença no continente africano. O governo brasileiro, sob a gestão Lula, tem defendido uma agenda de cooperação Sul-Sul e de financiamento público, mas sem resultados expressivos. Para o FORTIS NEWS, a abordagem de Elumelu oferece uma alternativa mais realista: parcerias comerciais baseadas em vantagens comparativas, redução de tarifas e estímulo ao empreendedorismo local.

A fala do empresário nigeriano na ONU não deve ser vista como um evento isolado, mas como parte de um movimento global de reavaliação do papel do Estado e da ajuda internacional. Em um momento em que o mundo enfrenta inflação, endividamento e crise fiscal, a receita de Elumelu — menos Estado, mais mercado — soa não apenas sensata, mas urgente.

O FORTIS NEWS acredita que a verdade factual está acima de qualquer narrativa política. E os dados são claros: países que abriram suas economias e reduziram o tamanho do Estado cresceram mais e reduziram a pobreza de forma mais consistente do que aqueles que mantiveram modelos estatistas. A África tem pressa. E o tempo da caridade já passou.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.