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El-Rufai Paga o Preço da Má Gestão: Declaração de Shehu Sani Expõe a Ruína Fiscal de Kaduna

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

Em publicação nas redes sociais, o ex-senador Shehu Sani afirmou que o ex-governador de Kaduna, Nasir El-Rufai,

Em publicação nas redes sociais, o ex-senador Shehu Sani afirmou que o ex-governador de Kaduna, Nasir El-Rufai, 'está pagando o preço por sua má administração'. A declaração não é apenas um ataque político: ela cristaliza a realidade de um estado que ostentou reformas de mercado, mas deixou como legado dívidas colossais, folhas de pagamento atrasadas e uma profunda insegurança jurídica.

O comentário de Sani, ex-representante de Kaduna no Senado nigeriano, surge em meio a uma investigação conduzida pela atual gestão de Uba Sani sobre as finanças do estado. Relatórios preliminares da Assembleia Legislativa local, amplamente divulgados pela imprensa nigeriana, apontam que a gestão de El-Rufai (2015-2023) contraiu dívidas superiores a 423 milhões de dólares, além de aproximadamente 85 bilhões de nairas em obrigações não quitadas. Os números são públicos e documentados, constituindo a base factual do que Sani classifica como 'má governança'.

A consequência prática dessa herança é devastadora para a população de Kaduna. O estado que se dizia 'reformista' consome hoje quase toda sua receita para pagar juros e amortizações, deixando aposentados sem pensões e funcionários públicos com salários atrasados. O enxugamento da máquina que El-Rufai prometeu tornou-se um inchaço financeiro que estrangula o setor privado local, sufocado por taxas, multas e impostos criados para sustentar o gigantismo do governo.

O caso é crucial para o debate liberal-conservador. El-Rufai sempre se apresentou como um tecnocrata reformista, mas suas políticas frequentemente flertaram com o autoritarismo de estado. As drásticas demolições de bairros informais, realizadas sob o pretexto de 'planejamento urbano', violaram princípios fundamentais de propriedade privada e justiça social. Na análise do FORTIS, a 'eficiência' prometida foi substituída por uma intervenção brutal que destruiu capital físico e social.

A violação de contratos e o uso excessivo da força policial para impor decisões geraram um resultado paradoxal: em vez de atrair investimentos, Kaduna afugentou o capital produtivo. A insegurança jurídica tornou-se o maior imposto cobrado dos empresários locais, impedindo a formação de um ambiente de negócios previsível. Este é o verdadeiro preço da gestão intervencionista travestida de 'modernização': a perda da confiança que o mercado exige para prosperar.

Os defensores de El-Rufai, naturalmente, sustentam que ele enfrentou forte resistência das elites corruptas locais e que a atual devassa tem caráter persecutório. É um argumento que merece análise no âmbito do contraditório. No entanto, o apelo à perseguição política não altera os fatos objetivos: as dívidas existem, as obrigações estão vencidas e a capacidade fiscal do estado foi devastada. A motivação dos procuradores atuais pode ser contaminada por interesses escusos, mas isso não apaga os balancetes públicos.

A verdade factual é soberana para qualquer análise isenta. Se El-Rufai está sendo perseguido politicamente, ele também colhe os frutos de um modelo que gastou mal, tributou demais e entregou menos do que prometia em estabilidade institucional. O caso revela um padrão comum em governos latino-americanos e africanos que confundem 'reforma' com 'autorização para mandar'.

O que a trajetória de El-Rufai ensina aos governantes é que não existe reforma sem respeito ao Estado de Direito. O livre mercado floresce onde prevalecem a previsibilidade, o respeito contratual e a proteção ao patrimônio. O caso de Kaduna é um epitáfio para o 'reformismo' que se apoia em escavadeiras e demolições. Enquanto El-Rufai busca sua defesa na justiça, pagando um preço político e judicial, a população do estado permanece refém de uma crise estrutural. A economia local estagnada e a falta crônica de caixa para serviços públicos são a herança dura que supera qualquer retórica. O mercado, no fim, deu seu veredicto.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.