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Internacional

ECOWAS Court completa 25 anos com apelo por reformas urgentes para justiça célere na Nigéria

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-21

O Tribunal de Justiça da CEDEAO celebra um quarto de século com críticas à morosidade e à falta de execução de sentenças, enquanto juristas e investidores cobram mudanças estruturais para garantir segurança jurídica no bloco – especialmente na Nigéria.

O Tribunal de Justiça da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) assinala 25 anos de existência com um balanço contraditório. De um lado, acumula mais de 1.200 decisões proferidas e consolidou-se como última instância para violações de direitos humanos no bloco. Do outro, enfrenta uma crise de credibilidade: as suas sentenças são frequentemente ignoradas pelos Estados-membros, e o tempo médio de julgamento ultrapassa os três anos, segundo relatório interno divulgado em setembro. A cerimónia oficial, realizada em Abuja, foi palco de discursos institucionais que pediram “reformas profundas” – expressão usada pelo presidente do tribunal, o juiz Edward Amoako Asante, em nota à imprensa.

O contexto é particularmente crítico para a Nigéria, maior economia do bloco e país que responde por cerca de 40% dos casos pendentes na corte. Dados do próprio tribunal indicam que, dos 87 processos aguardando execução forçada de sentenças, 53 envolvem o governo nigeriano. Em declaração à Rádio Abuja, o advogado nigeriano Olusegun Oladipo afirmou que “a falta de cumprimento das decisões do tribunal transformou o órgão numa mera caixa de ressonância”. A situação mina a confiança de investidores estrangeiros, que enxergam na impunidade judicial um risco adicional para contratos e propriedades.

Por que isso importa? O livre mercado depende de previsibilidade jurídica. Sem um tribunal regional que faça valer as suas decisões, o ambiente de negócios na África Ocidental permanece refém de arbitrariedades estatais. A Nigéria, que tenta atrair capital para infraestrutura e energia, vê-se prejudicada por um sistema judicial que não garante contratos. A reforma do tribunal da CEDEAO não é um assunto técnico – é uma condição para o desenvolvimento económico. Como lembrou o economista nigeriano Bismarck Rewane, em entrevista ao canal Channels TV, “investidores fogem de países onde as cortes são decorativas”.

Análise FORTIS: O diagnóstico é claro, mas as soluções propostas pelo tribunal são tímidas. O plano de reforma apresentado pelo presidente Asante prevê a criação de uma câmara de recurso interna, a digitalização dos processos e a nomeação de mais juízes. Nenhuma dessas medidas ataca o problema central: a ausência de mecanismos coercivos contra Estados soberanos. Em países como a Nigéria, onde o Poder Judiciário doméstico já é lento e corrupto, a corte regional acaba sendo uma alternativa ineficaz. A verdadeira reforma exigiria que os Estados-membros aceitassem a perda de soberania na execução de sentenças – algo que dificilmente acontecerá sem pressão externa, como condicionalidades de acordos comerciais com a União Europeia ou o FMI.

Contraponto: Defensores da soberania nacional argumentam que a imposição de sentenças da CEDEAO sem filtros domésticos violaria a Constituição nigeriana. O senador Opeyemi Bamidele, líder do governo no Senado, afirmou em sessão plenária que “a Nigéria não pode ter a sua justiça determinada por um tribunal estrangeiro sem a aprovação do nosso parlamento”. Essa visão, embora legalmente defensável, ignora que a adesão ao protocolo da CEDEAO já implica aceitação voluntária da jurisdição. O que falta é vontade política para honrar os compromissos assumidos. Enquanto isso, o cidadão comum e o empresário continuam sem remédio efetivo contra abusos estatais.

A celebração dos 25 anos deveria servir de alerta, não de auto-congratulação. O tribunal da CEDEAO tem potencial para ser um pilar de justiça regional, mas precisa de reformas que vão além da burocracia. A Nigéria, como líder do bloco, tem a responsabilidade de liderar pelo exemplo – cumprindo as decisões e apoiando a modernização do órgão. Se não o fizer, o legado de um quarto de século será o de uma promessa não cumprida.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.