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Economia

Disputa por dívidas se aprofunda: governo de Anambra divulga documento de N363 milhões em atrasados salariais

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

O governo do estado de Anambra, na Nigéria, publicou nesta quinta-feira um documento oficial que detalha N363 milhões (cerca de US$ 870 mil) em salários atrasados de servidores públicos. A medida acirra a crise fiscal e reacende o debate sobre a gestão de recursos em estados nigerianos.

O governo do estado de Anambra, comandado pelo governador Charles Soludo, divulgou nesta quinta-feira, 25 de setembro de 2026, um relatório financeiro que confirma a existência de N363 milhões em atrasados salariais devidos a trabalhadores do setor público estadual. O documento, intitulado “Relatório de Arrears Salariais do Governo do Estado de Anambra – Setembro 2026”, foi publicado no site oficial da Secretaria de Finanças do estado e detalha os valores por secretaria e categoria funcional.

A divulgação ocorre em meio a uma escalada da disputa entre o governo de Anambra e o governo federal nigeriano sobre o repasse de verbas do Fundo de Equalização da Receita (FAAC). Nos últimos meses, o estado tem enfrentado dificuldades para honrar a folha de pagamento, atribuídas por Soludo à redução dos repasses federais e à queda na arrecadação própria. Em declaração à imprensa local, o secretário de Finanças de Anambra, Chukwuma Okeke, afirmou que “o documento é um exercício de transparência e mostra o tamanho do desafio fiscal que herdamos”.

Segundo o relatório, os maiores valores em atraso concentram-se nas secretarias de Educação (N142 milhões), Saúde (N98 milhões) e Administração (N65 milhões). Os dados indicam que cerca de 4.300 servidores estão com salários pendentes há pelo menos três meses, muitos deles professores e profissionais de saúde. O sindicato dos trabalhadores do estado, a Associação de Servidores Públicos de Anambra (ASPA), reagiu com cautela. Em nota, a ASPA afirmou que “a transparência é bem-vinda, mas a dívida precisa ser paga imediatamente, sob pena de paralisação dos serviços essenciais”.

Por que isso importa? A crise salarial em Anambra não é um caso isolado. Estados nigerianos como Ekiti, Ondo e Plateau também enfrentam atrasos recorrentes, reflexo de um modelo fiscal centralizado e de gastos públicos inchados. O governo federal, sob a gestão de Bola Tinubu, tem pressionado os estados a reduzirem seus quadros e a aumentarem a arrecadação própria, mas a resistência política é forte. A divulgação do documento por Anambra pode ser lida como uma tentativa de Soludo de pressionar Abuja a liberar mais recursos, ou como um gesto de responsabilidade fiscal — dependendo da interpretação.

Análise FORTIS: O caso de Anambra expõe a falência do modelo estatista nigeriano. O estado gasta N363 milhões em atrasos, mas a pergunta que fica é: como essa dívida foi acumulada? A resposta está na cultura de contratações clientelistas e na ausência de reformas estruturais. Governadores como Soludo, que se apresenta como economista ortodoxo, têm a obrigação de cortar na própria carne: reduzir o número de secretarias, privatizar serviços não essenciais e implementar um teto de gastos. Em vez disso, o relatório mostra que o estado continua a operar com uma máquina administrativa pesada, financiada por repasses federais que nunca chegam em dia. A transparência é louvável, mas não paga salários. O livre mercado oferece alternativas: concessão de serviços de saúde e educação à iniciativa privada, redução de impostos para estimular a economia local e, acima de tudo, um compromisso real com o equilíbrio fiscal. Enquanto os políticos nigerianos continuarem a tratar o erário como extensão do caixa eleitoral, dívidas como essa se repetirão.

Contraponto: Críticos do governo de Anambra argumentam que a divulgação do documento é uma manobra política para desviar a atenção de promessas não cumpridas. O governador Soludo prometeu, durante a campanha de 2021, “zerar os atrasados em 12 meses”, mas o relatório mostra que a dívida cresceu desde então. A oposição no estado, liderada pelo Partido Democrático Popular (PDP), classificou o documento como “teatro fiscal” e exigiu a auditoria independente de todas as contas do governo desde 2022. Além disso, sindicatos alertam que a simples publicação não resolve o sofrimento dos servidores, muitos dos quais recorreram a empréstimos informais para sobreviver. O governo federal, por sua vez, afirmou em nota que “os estados devem priorizar a folha de pagamento antes de novos projetos de infraestrutura”, uma crítica indireta às obras viárias que Soludo tem inaugurado nos últimos meses.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.