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Internacional

Secretário de Relações Exteriores do Reino Unido Sob Fogo Cruzado: Aperto de Mão com Ministro Iraniano Gera Crise de Credibilidade no Ocidente

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

David Lammy, chefe da diplomacia britânica, enfrenta duras críticas no parlamento e na imprensa após cumprimentar Abbas Araghchi, chanceler do Irã, em meio a alegações de financiamento iraniano a grupos terroristas e desrespeito a sanções internacionais. Para a Nigéria, que lida com o avanço do terrorismo islâmico no Sahel, o gesto levanta sérias questões sobre a coerência da política externa ocidental.

Londres, 25 de setembro de 2026 — O secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, David Lammy, tornou-se o centro de uma tempestade política nesta semana após imagens mostrarem um apertado aperto de mão e um sorriso cordial com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

O gesto, que dura poucos segundos, desencadeou uma avalanche de críticas de parlamentares conservadores, think tanks de segurança nacional e até mesmo de setores mais realistas do Partido Trabalhista, ao qual Lammy pertence. A acusação central é simples e devastadora: enquanto o Reino Unido mantém sanções vigentes contra o Irã por seu programa nuclear, apoio a milícias no Oriente Médio e violações de direitos humanos, a imagem de seu principal diplomata apertando a mão do regime dos aiatolás envia um sinal de fraqueza e ambiguidade moral.

O contexto não poderia ser pior. Nos últimos doze meses, a inteligência britânica e israelense interceptaram carregamentos de drones e mísseis iranianos destinados a grupos como o Hezbollah e os houthis do Iêmen, que atacam navios comerciais no Mar Vermelho. Além disso, o Irã continua a enriquecer urânio a 60%, próximo do necessário para uma ogiva nuclear, desafiando abertamente resoluções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Nesse cenário, um aperto de mão público é, no mínimo, um erro tático.

Por que isso importa? Para a Nigéria, a crise de credibilidade não é um assunto distante. O país africano enfrenta há anos a insurgência do Boko Haram e, mais recentemente, a expansão de grupos jihadistas ligados ao Estado Islâmico na região do Lago Chade e no noroeste do estado de Katsina. O financiamento e o treinamento desses grupos frequentemente têm ramificações no Oriente Médio. Quando um líder ocidental trata o regime iraniano como interlocutor legítimo, sem contrapartidas visíveis, enfraquece o discurso de combate ao terrorismo e de defesa da soberania de países como a Nigéria.

Análise FORTIS: A diplomacia moderna frequentemente exige conversas com regimes pérfidos. Mas um aperto de mão não é uma conversa; é um gesto simbólico. Lammy poderia ter cumprimentado Araghchi com um aceno seco, ou mesmo evitado o contato visual, mantendo a cortesia protocolar sem normalizar o interlocutor. Ao sorrir e apertar a mão como se estivesse recebendo um aliado comercial, Lammy deu ao Irã exatamente o que o regime busca: legitimidade internacional sem custo.

O erro é ainda mais grave quando se considera o histórico recente. Em 2023, o governo britânico congelou bens de empresários iranianos acusados de financiar a repressão interna. Em 2024, expulsou diplomatas iranianos por atividades de espionagem. Agora, em 2026, o secretário de Relações Exteriores aperta a mão de seu colega iraniano como se nada tivesse acontecido. Isso não é diplomacia realista; é amnésia política.

Sob a ótica liberal-conservadora que o FORTIS defende, espera-se do Estado mínimo que ele seja mínimo no gasto público, mas máximo na clareza de princípios. Um governo que gasta bilhões de libras em defesa e inteligência não pode, ao mesmo tempo, abraçar publicamente aqueles que financiam o terror. Coerência não é um luxo; é um requisito de credibilidade. Quando o Reino Unido, ou qualquer potência ocidental, age de forma contraditória, o mundo em desenvolvimento — incluindo a Nigéria — paga o preço em vidas perdidas e instabilidade regional.

Contraponto: Alguns analistas de relações internacionais, como o professor John Mearsheimer, poderiam argumentar que conversar com o Irã é necessário para evitar uma escalada militar no Golfo Pérsico. O próprio Foreign Office emitiu nota afirmando que “o aperto de mão foi um gesto de cortesia profissional em um encontro multilateral, e não representa um acordo político ou alívio de sanções”. A defesa, no entanto, é frágil. Cortesia profissional não precisa incluir sorrisos efusivos, especialmente quando o interlocutor financia milícias que matam soldados britânicos no Afeganistão e no Iraque. O gesto deveria ter sido calculado para demonstrar firmeza, não camaradagem.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.