A crise educacional na Nigéria ganhou um novo capítulo com a declaração de um dos principais fundadores de escolas privadas do país, que admitiu publicamente que os custos operacionais elevados estão por trás do aumento das mensalidades. Em publicação nas redes sociais, o empresário explicou que a combinação de inflação de dois dígitos, desvalorização cambial e aumento dos impostos locais tornou insustentável a manutenção dos preços anteriores sem comprometer a qualidade do ensino. A declaração, embora óbvia para qualquer analista de mercado, expõe a fragilidade de um sistema educacional que depende cada vez mais da iniciativa privada para suprir as deficiências do Estado.
O contexto nigeriano é dramático: o país enfrenta a pior crise econômica em décadas, com a inflação anual acima de 30% e a naira perdendo mais de 60% do seu valor frente ao dólar desde 2023. As escolas privadas, que atendem cerca de 40% das crianças em idade escolar no país, segundo dados do Ministério da Educação, importam materiais didáticos, equipamentos de laboratório e até papel, todos cotados em moeda estrangeira. Além disso, a infraestrutura precária de energia e logística obriga as instituições a investirem em geradores a diesel e transporte próprio, custos que subiram na mesma proporção da inflação.
Por que isso importa para o Brasil? Porque a Nigéria é um espelho do que ocorre em países com Estado ineficiente e carga tributária elevada: quando o governo falha em prover serviços básicos, o setor privado é chamado a preencher a lacuna, mas acaba esmagado por custos que não consegue repassar integralmente ao consumidor. No Brasil, o Censo Escolar de 2024 mostrou que as escolas privadas já representam 18,5% das matrículas na educação básica, e o custo médio por aluno subiu 12% em relação ao ano anterior, puxado por reajustes salariais, energia e material didático. A diferença é que o governo brasileiro ainda tributa o setor com impostos como PIS/Cofins, ISS e ICMS sobre insumos, sem oferecer contrapartida em infraestrutura ou segurança.
A análise FORTIS é direta: o aumento das mensalidades não é um capricho do mercado, mas uma resposta racional a um ambiente de negócios hostil. Na Nigéria, o fundador da escola citou especificamente o aumento do imposto predial e as taxas municipais para licenciamento, que subiram 45% em um ano. No Brasil, o cenário é semelhante: a carga tributária sobre serviços de educação chega a 40% da receita líquida, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, e a burocracia para abertura e manutenção de escolas é uma das mais complexas do mundo. O resultado é que escolas pequenas e médias, que não têm economia de escala, são forçadas a repassar custos ou fechar as portas, reduzindo a oferta de vagas e empurrando famílias para um sistema público já colapsado.
É preciso fazer um contraponto honesto: parte do aumento de custos na Nigéria decorre da política cambial do governo, que unificou as taxas de câmbio e eliminou subsídios, causando um choque inflacionário. No entanto, como defendem economistas liberais, essa medida era necessária para corrigir distorções de décadas, e o problema real é a ausência de reformas estruturais que reduzam o custo de fazer negócios. No Brasil, o governo Lula repete o erro nigeriano ao expandir gastos públicos sem controle, elevando a dívida e pressionando a taxa de juros, o que encarece o crédito para escolas que precisam investir em infraestrutura. A solução não é tabelar mensalidades ou criar subsídios ineficientes, mas sim reduzir impostos, desburocratizar e investir em segurança e energia – medidas que diminuem o custo de operação e, consequentemente, os preços para as famílias.
Por Renan Filho · 2026-09-24