O apresentador nigeriano Isbae U, nome artístico do jovem criador de conteúdo Ugochukwu Isaac, finalmente detalhou, em uma série de publicações em sua conta oficial no X (antigo Twitter), como surgiu a ideia do seu programa de entrevistas ‘Curiosity Made Me Ask’. O formato, que hoje atrai milhões de visualizações e patrocinadores de peso, nasceu de uma frustração pessoal que, segundo ele, nunca precisou de um edital de fomento cultural para ser resolvida.
Em relato direto, Isbae U contou que sempre foi curioso e percebeu que as entrevistas tradicionais na Nigéria eram superficiais ou repetitivas. 'Eu queria perguntar o que ninguém pergunta', escreveu. 'Sem roteiro, sem medo de parecer ignorante. Só a curiosidade honesta de quem quer entender.' O primeiro episódio foi gravado com o próprio celular, na sala de casa, sem qualquer investimento governamental. O resultado? Um dos programas digitais mais comentados da África Ocidental em 2025 e 2026.
A trajetória de Isbae U contrasta fortemente com o modelo incentivado por governos intervencionistas, como o brasileiro, que insistem em direcionar recursos públicos para 'produções culturais' que frequentemente ninguém assiste. Enquanto a Nigéria — país com instituições frágeis e serviços públicos precários — viu surgir um ecossistema digital vibrante puxado pela iniciativa privada e por criadores individuais, o Brasil ainda debate como 'fomentar' o audiovisual com dinheiro do contribuinte.
O sucesso de Isbae U não é exceção, é sintoma de um princípio econômico clássico: quando o Estado não atrapalha — ou seja, quando não tributa excessivamente nem direciona recursos para selecionar 'vencedores' —, a criatividade e a demanda do mercado geram inovação. Isbae U não esperou um ministério da cultura; ele usou dados gratuitos (aplicativos de edição, redes sociais, internet banda larga contratada por ele mesmo) e construiu uma audiência orgânica. Se dependesse de aprovação estatal para 'conteúdo relevante', estaria até hoje preenchendo formulários.
Por que isso importa para o Brasil? O país ainda insiste em modelos do século XX: leis de incentivo que engessam a produção, burocracia para quem quer empreender no setor cultural e uma carga tributária que torna o custo de equipamentos e serviços proibitivo para jovens criadores da periferia. Enquanto isso, um nigeriano com um celular mostrou ao mundo que a pergunta certa — 'Curiosity Made Me Ask' — vale mais que um orçamento público de milhões.
Análise FORTIS: O case de Isbae U é um tapa de luva de pelica na face de toda a classe política brasileira que defende a 'obrigação do Estado' em financiar cultura. A verdade factual, baseada em dados do Banco Mundial e do FMI, é que a Nigéria, mesmo com um PIB per capita inferior ao brasileiro e com enormes desafios de infraestrutura, tem uma das indústrias criativas mais dinâmicas do mundo — Nollywood e o mercado de creators digitais — justamente porque a informalidade e a ausência de regulação sufocante permitem que o talento encontre seu público. O Brasil, ao contrário, engessa o empreendedorismo cultural com tributos e exigências legais, e depois se espanta quando criadores migram para plataformas estrangeiras.
É importante não romantizar a pobreza, mas reconhecer que a falta de Estado não é o mesmo que falta de ordem. Isbae U operou em um ambiente de baixíssima barreira de entrada: qualquer pessoa com um smartphone pode começar. No Brasil, o peso do custo Brasil — impostos sobre equipamentos, complexidade para emitir nota fiscal, risco tributário — desencoraja justamente quem mais precisa de oportunidades. A narrativa de que 'sem incentivo fiscal não há cultura' é desmentida pelo nigeriano que hoje fatura com anúncios e parcerias privadas, sem dever um tostão a nenhum Ministério.
Contraponto: Críticos podem argumentar que a falta de regulação na Nigéria também gera precarização e ausência de direitos trabalhistas para criadores. O argumento tem mérito parcial, mas ignora que a melhor política social é a existência de oportunidades reais, não a criação de empregos artificiais com dinheiro público. Isbae U e tantos outros mostraram que é possível construir carreira e gerar riqueza sem depender de estatais ou de incentivos fiscais. O caminho não é mais Estado, é menos tributo e menos burocracia para que todos possam, como ele, fazer a pergunta certa no momento certo.
Por Renan Filho · 2026-09-24