O governo do Canadá, por meio do Ministério das Relações Exteriores, publicou um alerta oficial orientando seus cidadãos a não consumirem bebidas alcoólicas não regulamentadas na Nigéria. O comunicado cita riscos à saúde decorrentes de contaminação por metanol e outros adulterantes, comuns em produtos informais vendidos no país. A medida, embora preventiva e tecnicamente correta, escancara uma realidade incômoda: a ausência de um mercado formal robusto de bebidas alcoólicas no território nigeriano.
O alerta canadense não é um caso isolado. Em 2019, dezenas de mortes na Nigéria foram atribuídas ao consumo de álcool artesanal contaminado, incluindo as bebidas locais conhecidas como zogbo e ogogoro, destilados à base de grãos ou palma. Em 2023, novo surto de intoxicação por metanol no país deixou ao menos 15 mortos em Lagos. As vítimas, em sua maioria, consumiram bebidas de origem duvidosa, sem qualquer controle sanitário ou fiscal.
O que o alerta canadense não diz, mas a realidade evidencia, é que a escala do problema está diretamente ligada à estrutura econômica nigeriana. O setor de bebidas alcoólicas no país opera sob forte intervenção estatal, com altas cargas tributárias, licenciamento burocrático e custos de conformidade que empurram pequenos produtores para a informalidade. Como resultado, o consumidor de baixa renda — justamente o mais vulnerável — recorre ao mercado negro, onde a fiscalização é praticamente inexistente e os riscos à saúde são imensamente maiores.
O paradoxo é evidente: quanto mais o Estado regula, tributa e restringe, mais se alimenta o ciclo de informalidade, contrabando e adulteração. A Nigéria não é exceção; é a regra em economias que tratam o mercado formal como inimigo, em vez de aliado. O Canadá, que possui um dos sistemas de controle de álcool mais rigorosos do mundo, sabe bem que a segurança do consumidor não se constrói com proibições ou alertas, mas com a existência de uma indústria formal, competitiva e fiscalizada de maneira eficiente.
A resposta liberal-conservadora a esse cenário não é defender o consumo irresponsável, mas sim criar as condições para que o mercado formal ofereça produtos seguros e acessíveis. Isso significa reduzir a burocracia, simplificar a tributação e incentivar a formalização de pequenos produtores locais, hoje relegados à ilegalidade. A experiência internacional demonstra que países com menor intervenção na produção e distribuição de bebidas alcoólicas tendem a ter índices menores de contaminação, pois o controle sanitário acompanha a formalidade.
Por outro lado, é preciso reconhecer que a Nigéria enfrenta desafios estruturais graves, como corrupção endêmica, infraestrutura deficiente e um sistema judiciário lento, que afastam investimentos estrangeiros e locais. A recomendação canadense, nesse contexto, é apenas um sintoma de um problema mais amplo: a incapacidade de um Estado ineficiente de prover segurança básica aos seus cidadãos, empurrando para o exterior a responsabilidade de alertar sobre riscos que deveriam ser mitigados localmente.
A FORTIS NEWS entende que a liberdade econômica é o melhor caminho para o desenvolvimento. Na Nigéria, como no Brasil, a saída não está em mais regulação, mas em menos Estado, menos impostos e mais respeito à propriedade privada. O alerta canadense é um lembrete de que a ausência de livre mercado não gera apenas estagnação; gera mortes evitáveis. Enquanto governos insistirem em tratar o empreendedor como inimigo, o consumidor continuará sendo a vítima.
É importante destacar que o governo nigeriano, por meio da NAFDAC (Agência Nacional de Administração e Controle de Alimentos e Medicamentos), tem feito esforços de fiscalização e apreensão de produtos adulterados. Contudo, esses esforços são insuficientes diante da magnitude do problema, resultado de décadas de políticas econômicas equivocadas. A verdade factual é que a informalidade não é uma escolha cultural, mas uma consequência de um ambiente de negócios hostil.
A pergunta que fica é: até quando a Nigéria — e países como o Brasil — tratarão o sintoma (bebidas contaminadas) sem atacar a causa (intervencionismo estatal)? O livre mercado não é uma abstração ideológica; é a ferramenta mais eficaz já criada para reduzir riscos, baixar preços e salvar vidas. Os alertas de governos estrangeiros são importantes, mas a solução definitiva está na liberalização econômica.
Por Renan Filho · 2026-09-24