Enquanto governos ao redor do mundo travam debates intermináveis sobre regulação de inteligência artificial, um jovem nigeriano demonstrou na prática o verdadeiro potencial da tecnologia: superar a ineficiência estatal. David Opeyemi, graduado com honras pela Babcock University, no estado de Ogun, revelou em entrevista à imprensa local que utilizou ferramentas de IA generativa — como ChatGPT e assistentes de estudo automatizados — para compreender disciplinas complexas de engenharia de software e ciência da computação.
A história de Opeyemi não é um caso isolado de genialidade individual. É um sintoma de um sistema educacional falido que, na Nigéria como no Brasil, gasta mal, tributa demais e entrega pouco. O jovem relatou que, diante da falta de professores especializados em tópicos avançados e da precariedade de laboratórios, recorreu a modelos de linguagem para explicar conceitos, gerar exercícios práticos e simular ambientes de programação. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou: "A IA foi meu tutor particular. Sem ela, eu teria dependido exclusivamente de um sistema que não estava preparado para me ensinar."
O feito de Opeyemi ocorre em um contexto onde a Nigéria enfrenta uma crise educacional crônica. Dados oficiais do Banco Mundial indicam que mais de 70% das crianças nigerianas em idade escolar não conseguem ler um texto básico com compreensão. O orçamento federal para educação em 2025 foi de aproximadamente 8% do total, muito abaixo dos 20% recomendados pela UNESCO. O resultado é uma geração que depende de soluções privadas e tecnológicas para não ser abandonada à própria sorte.
A atitude do estudante reflete um princípio caro ao liberal-conservadorismo: quando o Estado falha, o indivíduo, armado com ferramentas de livre mercado e tecnologia, encontra seu próprio caminho. Opeyemi não esperou por um programa governamental de inclusão digital. Ele buscou no mercado — ainda que por meio de plataformas gratuitas ou de baixo custo — o conhecimento que o sistema educacional público e as universidades privadas com recursos limitados não conseguiam oferecer.
Por que isso importa? Porque o debate sobre IA no Brasil e na América Latina tem sido dominado por vozes que pedem regulação pesada, controle estatal e "proteção" contra supostos riscos. Enquanto isso, jovens como Opeyemi mostram que a tecnologia é uma ferramenta de empoderamento individual que reduz desigualdades de acesso ao conhecimento. O Estado, historicamente, tributa pesadamente a tecnologia e cria barreiras burocráticas para sua adoção. No Brasil, a carga tributária sobre serviços de TI pode chegar a 40%, inviabilizando o acesso de estudantes de baixa renda a ferramentas que poderiam mudar suas vidas.
A análise FORTIS é direta: a história de Opeyemi expõe o fracasso do modelo estatizante de educação. Governos gastam fortunas em prédios, salários de funcionários não-essenciais e programas ideológicos, enquanto o ensino efetivo definha. A IA não é a inimiga — é a resposta. O livre mercado de conhecimento, com plataformas como Coursera, edX e os próprios modelos de linguagem, já oferece conteúdo de universidades como MIT e Stanford por uma fração do custo de uma mensalidade universitária brasileira. O problema não é a falta de recursos, mas a má gestão e a priorização errada dos gastos públicos.
Contraponto: Críticos argumentam que o uso de IA na educação pode aprofundar a dependência tecnológica de grandes corporações estrangeiras e que a falta de regulação expõe estudantes a informações incorretas. O próprio Opeyemi reconheceu, em declaração à imprensa nigeriana, que "a IA não substitui a interação humana e o pensamento crítico, mas é uma ferramenta poderosa quando usada com discernimento". De fato, a dependência exclusiva de algoritmos treinados em dados ocidentais pode enviesar o aprendizado. No entanto, a solução para isso não é proibir a ferramenta, mas estimular um ecossistema competitivo de desenvolvedores locais — o que requer menos impostos e menos burocracia, não mais.
O exemplo de Opeyemi deveria ser um alerta para governantes brasileiros e latino-americanos que insistem em tratar a educação como monopólio estatal. Enquanto o MEC brasileiro gasta bilhões em obras inacabadas e programas de conteúdo questionável, um jovem nigeriano, com um smartphone e acesso à internet, ensina a si mesmo conceitos de nível de pós-graduação. A mensagem é clara: o futuro da educação não passa por Brasília, nem por Abuja. Passa pela liberdade de aprender.
Por Renan Filho · 2026-09-24