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Politica

Atiku Abubakar nomeia Ibrahim-Imam e Nasir El-Rufai para liderar conselho de campanha de 2027

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

O ex-vice-presidente da Nigéria, Atiku Abubakar, anunciou nesta quinta-feira a formação do conselho de campanha para as eleições presidenciais de 2027, colocando o ex-governador de Kaduna, Nasir El-Rufai, e o estrategista político Ibrahim-Imam à frente da equipe. A movimentação surpreende analistas e sinaliza uma tentativa de ampliar a aliança entre setores do norte e do sul do país.

Em comunicado oficial divulgado por sua assessoria na manhã desta quinta-feira, o ex-vice-presidente da Nigéria e candidato do Partido Democrático Popular (PDP) nas últimas três eleições, Atiku Abubakar, confirmou a nomeação de Ibrahim-Imam como coordenador geral e de Nasir El-Rufai como vice-presidente do conselho de campanha para as eleições presidenciais de 2027. A decisão ocorre em um momento de intensa reestruturação política no país, com o PDP tentando se recuperar de derrotas consecutivas e o Partido do Congresso Progressista (APC), do atual presidente Bola Tinubu, enfrentando desgastes internos.

Ibrahim-Imam, figura conhecida no cenário político do norte da Nigéria, é reconhecido por sua habilidade de articulação entre lideranças tradicionais e modernas. Já Nasir El-Rufai, ex-governador de Kaduna por dois mandatos (2015-2023), é um dos políticos mais controversos do país — conhecido por suas reformas econômicas liberais, mas também por sua gestão autoritária e por declarações polêmicas sobre segurança e etnias. El-Rufai, que até recentemente integrava o APC, vinha sinalizando insatisfação com a condução do governo Tinubu, especialmente em relação à política de segurança e à desvalorização da naira.

A escolha de El-Rufai é interpretada como uma tentativa de Atiku de atrair votos de setores do norte que antes apoiavam o APC e de construir uma ponte com eleitores insatisfeitos com a gestão atual. O ex-governador de Kaduna tem forte base em seu estado e é visto como um nome capaz de mobilizar tanto o eleitorado urbano progressista quanto as elites rurais conservadoras. Ibrahim-Imam, por sua vez, deve focar na articulação com líderes comunitários e religiosos, peça-chave para vencer no norte do país.

Por que isso importa? A Nigéria enfrenta uma crise econômica severa, com inflação anual acima de 30%, desemprego recorde e insegurança alimentar. As reformas de livre mercado propostas por Tinubu — como o fim dos subsídios aos combustíveis e a flutuação cambial — não produziram os resultados esperados e geraram forte descontentamento popular. Atiku, que sempre defendeu um estado mais intervencionista, agora parece tentar um discurso de centro, incorporando figuras como El-Rufai, conhecido por suas políticas pró-mercado. Para liberais-conservadores, a aliança entre um político estatista e um reformista liberal é paradoxal, mas pragmaticamente compreensível: em uma democracia frágil, coalizões amplas são necessárias para derrotar governos que falham em entregar desenvolvimento.

Análise FORTIS Do ponto de vista liberal-conservador, a escolha de El-Rufai é um aceno positivo. Durante seu governo em Kaduna, ele implementou privatizações, reduziu a burocracia e tentou modernizar a administração pública, embora com críticas severas à supressão de liberdades civis. Ibrahim-Imam, por outro lado, representa o velho estilo clientelista da política nigeriana — o que acende alertas. A verdade é que a Nigéria precisa de reformas estruturais, não de mais acordos de bastidores. O problema central do país é o tamanho do estado: gasta mal, tributa demais e entrega pouco. Atiku, historicamente, defendeu subsídios e gastos públicos excessivos. Se sua campanha for genuinamente orientada por El-Rufai a uma plataforma de livre mercado, pode atrair o eleitorado cansado da estagnação. Mas se for apenas uma jogada eleitoral, o resultado será mais do mesmo.

Contraponto Críticos apontam que a aliança com El-Rufai pode afastar eleitores do sul, que veem no ex-governador uma figura divisiva e associada a discursos étnicos inflamatórios. Além disso, a entrada de um ex-membro do APC no conselho de campanha do PDP levanta dúvidas sobre a coesão partidária. Há também receios de que Ibrahim-Imam represente interesses oligárquicos do norte, perpetuando o controle de elites sobre o poder. A FORTIS pondera: nenhuma mudança real virá se os mesmos grupos políticos continuarem alternando-se no poder sem reformar as instituições. O foco deve estar em propostas concretas: redução de impostos, desregulamentação, privatização da estatal petrolífera NNPC e combate à corrupção. Até agora, nem Atiku nem Tinubu apresentaram planos convincentes nesse sentido.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.