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Internacional

Milei chama ONU de “inútil” sobre as Malvinas e expõe fracasso do multilateralismo; uma lição para a Nigéria

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

O presidente argentino Javier Milei classificou a Organização das Nações Unidas como “absolutamente inútil” para resolver a disputa de soberania das Ilhas Malvinas/Falklands, acendendo um debate sobre o custo e a eficácia do multilateralismo para países emergentes como a Nigéria.

Em uma declaração que reverberou nos círculos diplomáticos de Abuja a Buenos Aires, o presidente argentino Javier Milei afirmou nesta quarta-feira que a ONU é “absolutamente inútil” para mediar a disputa de soberania sobre as Ilhas Malvinas, Falklands para os britânicos. A fala, feita durante entrevista ao canal argentino LN+, expõe um sentimento crescente entre líderes de economias emergentes: as instituições multilaterais custam caro, burocratizam soluções e raramente entregam resultados concretos.

“A ONU não serve para nada nessa questão. Há décadas de resoluções, comitês e discursos, e a Argentina continua sem avanço real na negociação. É uma máquina de desperdício de dinheiro e tempo”, declarou Milei, em tom direto que já se tornou sua marca registrada. O governo argentino, sob sua gestão liberal-conservadora, tem adotado uma postura de revisão de todos os gastos públicos, inclusive as contribuições obrigatórias a organismos internacionais.

O contexto da declaração remonta à histórica Resolução 2065 da Assembleia Geral da ONU, de 1965, que reconhece a existência de uma disputa de soberania e convoca as partes a negociarem. Desde então, sucessivos governos argentinos — peronistas, radicais e kirchneristas — gastaram rios de dinheiro em lobby diplomático e viagens a Nova York, sem que o Reino Unido, potência nuclear e membro permanente do Conselho de Segurança, se movesse um milímetro de sua posição. O referendo de 2013 nas ilhas, onde 99,8% dos habitantes votaram por permanecer britânicos, foi ignorado pela Assembleia Geral, mas reconhecido por Londres como prova do direito à autodeterminação.

Por que isso importa para a Nigéria? A resposta é direta: o país africano, maior economia do continente, gasta anualmente cerca de 20 milhões de dólares em contribuições voluntárias e obrigatórias à ONU, segundo dados do orçamento federal de 2025. Esse valor poderia financiar 4.000 bolsas de estudo técnicas ou pavimentar 200 quilômetros de estradas rurais. Enquanto isso, disputas internas — como a questão separatista de Biafra ou os conflitos entre pastores e agricultores no Cinturão Médio — não recebem sequer uma fração da atenção que o Conselho de Segurança dedica a temas europeus.

A crítica de Milei, portanto, não é apenas um desabafo. Ela se insere em uma análise liberal-conservadora que o FORTIS NEWS endossa com dados: o multilateralismo, como praticado hoje, é um mecanismo caro e ineficaz que frequentemente serve aos interesses das potências estabelecidas. O Reino Unido, como membro permanente do Conselho de Segurança, tem poder de veto sobre qualquer resolução que lhe desagrade. A Argentina, por sua vez, paga a conta e não tem assento à mesa das decisões reais.

Contraponto: Críticos da posição de Milei apontam que a ONU, apesar de suas falhas, é o único fórum onde países pequenos e médios podem ter voz. “Sem a ONU, a Argentina estaria ainda mais isolada. A resolução de 1965 é o principal documento jurídico que sustenta a reivindicação argentina”, argumentou o ex-chanceler kirchnerista Jorge Taiana, em entrevista à Rádio Nacional. O argumento tem mérito parcial: a resolução existe, mas não produziu efeito prático em 60 anos. O custo de mantê-la, entretanto, é real e crescente.

Análise FORTIS: A declaração de Milei expõe uma verdade inconveniente para a elite diplomática nigeriana e africana. O país paga uma taxa anual de aproximadamente 0,25% do orçamento da ONU — cerca de 8 milhões de dólares em contribuição obrigatória, mais 12 milhões em voluntárias para agências como UNICEF e PNUD. Esse dinheiro sai dos cofres públicos, que são abastecidos por impostos sobre o consumo e a renda de cidadãos que mal têm acesso a eletricidade 24 horas por dia. A pergunta que fica é: qual o retorno sobre esse investimento? Para a Nigéria, a ONU não resolveu a insegurança no noroeste, não impediu a pirataria no Golfo da Guiné e não acelerou a industrialização do país. Para a Argentina, não devolveu as Malvinas.

O liberal-conservadorismo defende que o Estado deve gastar com o que é essencial e eficaz. Se a ONU não entrega resultados mensuráveis para o contribuinte argentino ou nigeriano, por que continuar financiando sua máquina burocrática? A soberania nacional não se fortalece com discursos em assembleias, mas com capacidade militar, econômica e tecnológica. Milei, ao cortar gastos e reduzir a presença do Estado na economia argentina, sinaliza que prefere investir em defesa e infraestrutura real do que em burocracia internacional.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.