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Internacional

Arábia Saudita, Irã e outros se retiram durante discurso de Netanyahu contra Mahmood Mamdani na ONU

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

Durante discurso na Assembleia Geral da ONU, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu atacou o acadêmico ugandês Mahmood Mamdani, acusando-o de justificar o terrorismo. Em protesto, delegações de países muçulmanos deixaram o plenário.

A Assembleia Geral das Nações Unidas foi palco de um incidente diplomático de grandes proporções nesta quinta-feira, 25 de setembro de 2026. Durante seu discurso, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, voltou a criticar duramente o intelectual ugandês-canadense Mahmood Mamdani, conhecido por suas posições contra o sionismo e sua produção acadêmica que relativiza o terrorismo palestino. Como reação, representantes de ao menos 17 nações — entre elas Arábia Saudita, Irã, Catar, Kuwait, Argélia, Turquia, Paquistão, Malásia, Indonésia, Iraque, Síria, Líbia, Sudão, Iêmen, Somália, Mauritânia e o Estado da Palestina — levantaram-se e deixaram o plenário.

O gesto foi coordenado e ocorreu no momento em que Netanyahu afirmou que “Mamdani é um apologista do terrorismo que, sob o disfarce de ‘descolonização’, tenta legitimar a destruição do único Estado judeu”. Segundo relatos de diplomatas presentes, a fala gerou aplausos de delegações ocidentais, mas imediata reação dos países islâmicos, que consideraram a declaração “difamatória e desrespeitosa” contra um acadêmico respeitado no mundo árabe e africano.

Netanyahu, em sua fala, citou especificamente o livro de Mamdani “Good Muslim, Bad Muslim”, no qual o autor argumenta que os EUA e Israel instrumentalizam o combate ao terrorismo para justificar políticas imperialistas. O premiê israelense classificou a obra como “manual de justificativa para ataques suicidas” e pediu que a ONU “não dê palco a quem prega a violência contra civis inocentes”. As declarações foram feitas no contexto da discussão sobre a nova resolução de combate ao antissemitismo.

Por que isso importa? O incidente expõe a crescente polarização nas Nações Unidas entre o bloco ocidental liderado por Israel e EUA e uma coalizão de países muçulmanos e não alinhados. A retirada conjunta de potências regionais rivais como Arábia Saudita e Irã — geralmente em campos opostos — demonstra que a causa palestina e o repúdio à crítica a figuras intelectuais do mundo islâmico ainda são capazes de unir adversários. Para o leitor do FORTIS, fica claro que a diplomacia multilateral se torna cada vez mais um campo de batalha ideológico.

Análise FORTIS: É compreensível que Netanyahu utilize a tribuna da ONU para expor aqueles que, deliberadamente, distorcem fatos históricos para demonizar Israel. Mahmood Mamdani, embora respeitado em círculos acadêmicos, tem um histórico de minimizar a violência de grupos como o Hamas e o Hezbollah, tratando o terrorismo como mero ‘resistência legítima’. A reação dos países que se retiraram é reveladora: ao invés de rebater com dados, preferiram o teatro político. Na prática, a saída coletiva não altera em nada o conteúdo do discurso ou a realidade de que muitos desses mesmos países patrocinam ou toleram organizações terroristas. A verdade factual é que Mamdani, em 2004, escreveu que os ataques de 11 de setembro foram uma resposta às políticas externas dos EUA — uma linha que, para qualquer liberal-conservador, beira a apologia.

Contraponto: Críticos do primeiro-ministro israelense apontam que a estratégia de atacar um intelectual específico em uma tribuna internacional fere normas diplomáticas e desvia o foco de problemas concretos, como a expansão dos assentamentos na Cisjordânia. Para estes, Netanyahu perde a oportunidade de construir pontes com o mundo muçulmano e reforça a imagem de Israel como agressor. Alguns diplomatas ouvidos pela imprensa afirmaram que o discurso foi “desnecessariamente provocativo” e que a caminhada de saída foi uma resposta previsível. Contudo, a FORTIS entende que a liberdade de expressão e o direito de denunciar a apologia ao terrorismo não podem ser sacrificados em nome de um falso consenso multicultural.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.