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Akwa Ibom completa 39 anos: governador Eno pede união, mas dependência do petróleo e gestão ineficiente travam o futuro

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-23

Em discurso no aniversário do estado, Umo Eno exaltou a unidade e prometeu que 'a melhor história está por vir'. No entanto, dados oficiais e relatórios de transparência mostram que Akwa Ibom continua refém do petróleo, com gastos públicos inchados e baixa diversificação econômica — um cenário que exige reformas de livre mercado, não apenas retórica.

O governador de Akwa Ibom, Umo Eno, utilizou as celebrações dos 39 anos de criação do estado para fazer um apelo à unidade política e social. Em declaração à imprensa local no último dia 23 de setembro, Eno afirmou que 'o melhor de Akwa Ibom ainda está por vir' e convocou todos os cidadãos a trabalharem juntos para superar desafios históricos. A fala ocorreu durante cerimônia em Uyo, capital do estado, e foi amplamente repercutida nas redes sociais do governo.

Apesar do tom otimista, os números contam uma história diferente. Akwa Ibom é o maior produtor de petróleo da Nigéria, responsável por cerca de 30% da produção nacional, segundo dados da Nigerian National Petroleum Corporation (NNPC). No entanto, o estado ocupa a 28ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre os 36 estados nigerianos, com uma taxa de pobreza superior a 60% — um paradoxo clássico da 'maldição dos recursos naturais'.

O governador Eno, filiado ao Partido Democrático Popular (PDP), assumiu o cargo em 2023 e herdou uma máquina pública pesada. O orçamento estadual para 2026 ultrapassa 800 bilhões de nairas, mas mais de 70% dos recursos são destinados a despesas correntes, incluindo salários e custeio da burocracia, conforme o relatório de execução orçamentária do Ministério das Finanças local. A receita própria do estado, excluindo transferências federais do petróleo, representa menos de 15% do total.

Por que isso importa? Akwa Ibom exemplifica o fracasso do modelo estatista que predomina em boa parte da África subsaariana: alta dependência de rendas extrativas, baixa produtividade do setor privado e um Estado que gasta mal, tributa indiretamente a população via inflação e entrega serviços públicos precários. O discurso de unidade de Eno, embora bem-intencionado, não enfrenta as causas estruturais do atraso.

A análise FORTIS aponta que o caminho para Akwa Ibom 'ter sua melhor história' passa por reformas de livre mercado que já mostraram resultados em outros estados nigerianos. Lagos, por exemplo, sob governos de diferentes partidos, diversificou sua economia, melhorou a arrecadação própria e reduziu a dependência do petróleo. Akwa Ibom, ao contrário, mantém um setor privado sufocado por burocracia, insegurança jurídica e falta de infraestrutura logística além do petróleo.

Dados do Banco Mundial mostram que o estado tem um dos piores ambientes de negócios do país: leva-se em média 45 dias para registrar uma empresa, contra 10 dias em Lagos. A carga tributária efetiva sobre pequenos negócios — incluindo taxas informais e multas arbitrárias — é estimada em 35% do lucro, segundo a Câmara de Comércio de Uyo. Enquanto isso, o governo estadual anuncia megaprojetos como um novo aeroporto e um parque industrial, mas sem transparência nos contratos.

Contraponto: o governo de Eno defende que está investindo em educação e saúde. Em publicação oficial, a administração destacou a construção de 12 novas escolas técnicas e a ampliação do programa de bolsas de estudo. Também alega ter reduzido a dívida pública estadual em 8% nos últimos dois anos. No entanto, relatórios da agência de integridade orçamentária local apontam que parte da redução veio de renegociações que alongaram prazos, sem melhora real na capacidade de pagamento.

O discurso de unidade, portanto, não pode substituir a necessidade de reformas institucionais. Enquanto Akwa Ibom não diversificar sua economia, reduzir o tamanho do Estado e criar um ambiente favorável ao empreendedorismo, a 'melhor história' continuará sendo uma promessa. A verdade factual é que estados que abraçaram o livre mercado — como Lagos, Rivers (em gestões mais liberais) e até mesmo o distrito federal de Abuja — colhem melhores indicadores sociais e econômicos.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.