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O presidente do Senado da Nigéria, Godswill Akpabio, declarou nesta segunda-feira, 28 de setembro de 2026, apoio oficial à candidatura do presidente da Câmara dos Representantes da Austrália, Milton Dick, para a presidência da União Interparlamentar (IPU). O anúncio ocorreu durante uma reunião bilateral em Abuja, capital nigeriana, e coloca o peso diplomático de um dos maiores parlamentos africanos atrás da campanha do parlamentar australiano. A eleição para a presidência da IPU está prevista para outubro de 2026, durante a assembleia anual da organização em Genebra, na Suíça.
**Contexto**
A União Interparlamentar, fundada em 1889, é a mais antiga organização internacional dedicada ao diálogo entre parlamentos soberanos. Com sede em Genebra, a IPU reúne atualmente 180 parlamentos nacionais e 14 organismos parlamentares regionais. A presidência da organização é um cargo de alto prestígio diplomático, exercido por um mandato de três anos, com responsabilidade de mediar debates globais sobre democracia, direitos humanos e paz. O atual presidente, o mexicano Sergio Gutiérrez Luna, encerra seu mandato em outubro de 2026.
Milton Dick, presidente da Câmara dos Representantes da Austrália desde 2022, é membro do Partido Trabalhista Australiano e tem uma trajetória focada em reformas parlamentares e fortalecimento da transparência legislativa. Sua candidatura à presidência da IPU foi lançada oficialmente em março de 2026, com o apoio do governo australiano e de parlamentares de países do Pacífico e da Commonwealth. Dick tem defendido uma agenda centrada na digitalização dos processos legislativos, no combate à desinformação e na ampliação da participação feminina nos parlamentos.
Godswill Akpabio, por sua vez, é uma figura central na política nigeriana. Ex-governador do estado de Akwa Ibom e atual presidente do Senado, Akpabio é membro do partido governista Congresso de Todos os Progressistas (APC). Sua influência se estende por todo o continente africano, sendo um dos líderes parlamentares mais experientes da região. O apoio de Akpabio a Dick não é apenas um gesto simbólico: a Nigéria é o país mais populoso da África e um dos membros mais ativos da IPU, com forte presença em comitês e grupos de trabalho da organização.
O movimento de Akpabio ocorre em um momento de intensa disputa pela presidência da IPU. Além de Dick, outros candidatos incluem o presidente do Parlamento do Quênia, Moses Wetangula, e a presidente da Câmara dos Deputados do Uruguai, Ana Olivera. A eleição promete ser acirrada, com blocos regionais buscando alianças estratégicas. O apoio nigeriano à candidatura australiana sinaliza uma aproximação entre África e Oceania dentro da IPU, potencialmente deslocando o eixo tradicional de poder que historicamente favorece candidatos europeus e latino-americanos.
**Análise**
O apoio de Akpabio a Milton Dick carrega implicações geopolíticas significativas para a governança parlamentar global. Em primeiro lugar, reforça a estratégia australiana de ampliar sua influência em organizações multilaterais, especialmente após o fortalecimento de laços com países africanos no âmbito do G20 e da Commonwealth. A Austrália tem investido em diplomacia parlamentar como ferramenta de soft power, e a presidência da IPU oferece uma plataforma para projetar valores democráticos e impulsionar reformas institucionais em escala mundial.
Para a Nigéria, o endosso a Dick representa um movimento calculado de política externa. Ao apoiar um candidato não africano, Akpabio evita fragmentar o voto do continente — que tradicionalmente tende a apoiar candidatos regionais — e, ao mesmo tempo, constrói capital político junto a Canberra. Esse tipo de aliança pode render frutos em futuras negociações bilaterais, como acordos comerciais e cooperação em segurança. Além disso, a posição de Akpabio fortalece sua imagem como líder global, projetando-o para além das fronteiras nigerianas.
A eleição da IPU também reflete tendências mais amplas nas relações internacionais. A organização tem enfrentado desafios para manter sua relevância em um cenário de crescente polarização política e questionamentos à eficácia do multilateralismo. Uma presidência australiana poderia impulsionar uma agenda de modernização tecnológica dos parlamentos, tema caro a Dick, e de combate à desinformação, que afeta diretamente a credibilidade dos processos legislativos. Por outro lado, a ausência de um candidato africano na liderança pode gerar insatisfação entre parlamentares do continente, que há muito reivindicam maior representação nos altos escalões da IPU.
O desfecho da disputa dependerá da capacidade dos candidatos de construir pontes entre blocos regionais. O apoio de Akpabio a Dick é um passo importante, mas não garante a vitória. A campanha australiana precisará conquistar também o apoio de parlamentos europeus e asiáticos, que juntos formam a maior fatia do eleitorado da IPU. A decisão final caberá aos delegados presentes na assembleia de outubro, em Genebra, onde cada parlamento membro terá direito a um voto.
**Fontes**
- Comunicado oficial da assessoria de imprensa do Senado da Nigéria, divulgado em 28 de setembro de 2026. - Declarações do presidente do Senado nigeriano, Godswill Akpabio, durante encontro bilateral com delegação australiana em Abuja. - Informações do site oficial da União Interparlamentar (IPU) sobre o processo eleitoral e candidaturas registradas. - Perfil institucional de Milton Dick no site do Parlamento da Austrália. - Reportagens da agência de notícias Reuters e da Australian Broadcasting Corporation (ABC) sobre a campanha de Dick para a presidência da IPU.
Por Renan Filho · 2026-09-28