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Economia

Governador Aiyedatiwa libera N400 milhões em bolsas de estudo para alunos de Ondo: alívio ou clientelismo?

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-23

O governador do estado de Ondo, Lucky Aiyedatiwa, anunciou a distribuição de 400 milhões de nairas (cerca de R$ 3,2 milhões) em bolsas e auxílios estudantis. A medida levanta debate sobre eficiência do gasto público e dependência do Estado na educação.

O governo do estado de Ondo, na Nigéria, confirmou nesta quarta-feira (23) a liberação de 400 milhões de nairas (NGN) para o pagamento de bolsas de estudo e auxílios a estudantes do ensino superior e técnico. O anúncio foi feito pelo governador Lucky Aiyedatiwa por meio de sua conta oficial no X (antigo Twitter), acompanhado de uma nota da Secretaria de Educação estadual.

Segundo a publicação, os recursos beneficiarão cerca de 8 mil alunos matriculados em instituições públicas e privadas credenciadas no estado. O valor individual varia entre 50 mil e 150 mil nairas, dependendo da modalidade — bolsa integral, parcial ou auxílio emergencial. A medida foi apresentada como parte do programa "Ondo Educa", lançado em 2024.

A iniciativa ocorre em um momento de forte pressão fiscal sobre os estados nigerianos. Ondo, que depende majoritariamente de repasses federais do petróleo, viu sua receita cair 12% no primeiro semestre de 2025, segundo dados do Escritório Nacional de Estatísticas (NBS). O governo estadual, no entanto, afirma que a verba para as bolsas foi garantida por meio de cortes em despesas administrativas — incluindo a redução de 30% no número de veículos oficiais da frota do governo.

Por que isso importa? A decisão de Aiyedatiwa toca em um ponto sensível da economia política africana: a tensão entre políticas sociais imediatas e a necessidade de reformas estruturais. Em um país onde a inflação anual ultrapassa 30% e o desemprego juvenil beira os 42% (FMI, 2025), qualquer transferência direta de recursos para jovens é bem-vinda por eleitores. Mas o custo de oportunidade é real: cada naira gasta em bolsas poderia ter sido usada para reduzir impostos sobre empresas locais, que hoje enfrentam uma carga tributária efetiva de 45% sobre o lucro, segundo a Câmara de Comércio Nigeriana.

Análise FORTIS: Do ponto de vista liberal-conservador, a medida não é intrinsecamente errada — desde que o dinheiro seja do contribuinte e não fruto de endividamento ou inflação. O problema é a falta de transparência nos critérios de distribuição. Em 2024, o Tribunal de Contas de Ondo apontou que 23% dos beneficiários de programas similares não atendiam aos requisitos de renda ou desempenho acadêmico. Sem mecanismos de auditoria independente, há risco de que as bolsas se tornem moeda de troca política, especialmente em um ano eleitoral (as eleições estaduais em Ondo estão marcadas para novembro de 2026).

Contraponto: Defensores do programa argumentam que, na ausência de um sistema de crédito estudantil privado robusto (apenas 5% dos nigerianos têm acesso a bancos formais), o Estado precisa agir como provedor emergencial. A economista nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala, em artigo de 2023, defendeu que bolsas focalizadas em famílias de baixa renda podem gerar retorno social de até 8% ao ano, se combinadas com controle de qualidade nas universidades. O problema é que Ondo gasta apenas 8% do orçamento em educação básica — o menor percentual entre os estados do sudoeste nigeriano. Priorizar o ensino superior em detrimento da base pode perpetuar a desigualdade.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.