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Debutantes Ilenikhena e Usor colocam Nigéria no caminho da vitória contra Madagascar nas eliminatórias do AFCON

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

Com dois estreantes decisivos, a Nigéria superou Madagascar por 2 a 1 em jogo válido pelas eliminatórias da Copa Africana de Nações. O placar, porém, esconde a lição que o futebol africano insiste em ensinar: eficiência supera posse de bola.

As eliminatórias do AFCON reservaram uma noite de afirmação para a Nigéria. Em partida disputada no Stade Municipal de Antananarivo, as Super Águias venceram Madagascar por 2 a 1, com gols de George Ilenikhena e Ademola Lookman, mas o destaque ficou por conta dos estreantes Ilenikhena e Usor, que deram nova dinâmica ao ataque nigeriano.

O jogo começou com Madagascar impondo ritmo intenso, usando a altitude e o apoio da torcida local para pressionar a saída de bola nigeriana. Aos 22 minutos, a seleção da casa abriu o placar em cobrança de falta ensaiada, explorando falha de marcação no segundo pau. A resposta nigeriana veio em contra-ataques rápidos, explorando a velocidade de Usor pelas pontas.

A virada aconteceu em um intervalo de oito minutos no segundo tempo. Aos 58, Ilenikhena, atacante de 20 anos que atua no futebol francês, recebeu na entrada da área, cortou para o pé esquerdo e bateu no ângulo. O gol acalmou a Nigéria e expôs as fragilidades defensivas de Madagascar, que recuou demais e perdeu a referência ofensiva. Aos 66, Lookman ampliou em jogada individual após lançamento longo, dando números finais à partida.

Para além do resultado, a atuação nigeriana reacende um debate que atravessa o futebol mundial: clubes e seleções seguem priorizando a formação de atletas com intensidade física e leitura tática, mas é a eficiência nas finalizações que decide jogos equilibrados. A Nigéria teve apenas 43% de posse de bola, mas finalizou 11 vezes, com 7 no gol. Madagascar, dono da bola, criou chances claras, mas pecou na última pontaria.

A vitória coloca a Nigéria em situação confortável no Grupo D, com 6 pontos em 3 jogos, atrás apenas de Camarões, que lidera com 7. Madagascar, com 4, segue vivo na briga por uma vaga entre os melhores terceiros, mas precisa vencer na próxima rodada para não depender de combinação de resultados.

A convocação de Ilenikhena e Usor, ambos com pouco destaque na mídia europeia, reforça uma tese que o FORTIS NEWS defende há anos: o futebol é um dos poucos mercados onde o mérito ainda fala mais alto que o marketing. Enquanto seleções ricas convocam jogadores pelo nome e pela camisa, a Nigéria aposta em quem está produzindo em campo, independentemente do clube ou da liga.

A análise, contudo, não pode ignorar o contraponto. Madagascar dominou boa parte do jogo e teve as melhores chances no primeiro tempo. A diferença esteve na capacidade nigeriana de aproveitar os erros adversários, não em uma superioridade tática evidente. O técnico nigeriano, aliás, terá trabalho para ajustar o meio-campo, que sofreu com a pressão alta adversária e quase comprometeu o resultado.

O próximo desafio da Nigéria será contra a Libéria, fora de casa, em partida que pode garantir a classificação antecipada. Madagascar, por sua vez, enfrenta Camarões precisando pontuar. O futebol africano, cada vez mais competitivo, mostra que não há jogo fácil, mas também revela que times organizados e eficientes tendem a colher frutos.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.