A seleção nigeriana de futebol estreou com o pé direito na corrida para a AFCON 2027 ao derrotar Madagascar por 2 a 1 no Estádio Nacional de Abuja, na tarde desta sexta-feira. O resultado, embora esperado dado o abismo de investimento entre as duas nações, levanta questões sobre a real eficácia dos gastos públicos no esporte e a dependência de recursos estatais em vez de mecanismos de livre mercado.
Os gols nigerianos foram marcados por Victor Osimhen, aos 23 minutos do primeiro tempo, e Samuel Chukwueze, aos 78, após um empate temporário de Madagascar com o atacante Njiva Rakotoharimalala, aos 54. Confirmado pela Confederação Africana de Futebol (CAF), o placar reflete a superioridade técnica de uma seleção que tem um valor de mercado estimado em mais de 400 milhões de euros (segundo dados do Transfermarkt), contra menos de 10 milhões de euros do elenco malgaxe.
A partida fez parte do primeiro dia de jogos do Grupo A das eliminatórias. Outros resultados incluem a vitória da Costa do Marfim sobre o Benim por 3 a 0 e o empate sem gols entre Gana e República Centro-Africana. A tabela completa da primeira rodada está disponível no site oficial da CAF.
Por que isso importa? O futebol africano, assim como grande parte do continente, sofre com a captura estatal de recursos. A Federação Nigeriana de Futebol (NFF) recebeu subsídios diretos do governo federal no valor de 15 bilhões de nairas (aproximadamente R$ 120 milhões) para a preparação das eliminatórias, conforme documento orçamentário de 2026. Enquanto isso, a seleção de Madagascar, com um orçamento 90% menor e financiado majoritariamente por patrocínios privados e doações de empresas locais, conseguiu competir de forma digna, saindo de campo com a cabeça erguida.
Análise FORTIS: O dinheiro do contribuinte nigeriano está sendo bem aplicado? Se olharmos para a eficiência — uma medida cara ao liberalismo —, a resposta é não. O governo gasta fortunas em estádios, salários de comissão técnica e logística, mas os resultados esportivos de longo prazo são inconsistentes. A Nigéria não vence uma AFCON desde 2013. Enquanto isso, seleções como Senegal e Marrocos, que adotaram modelos com forte participação do setor privado e menor ingerência estatal, conquistaram títulos recentes. O Marrocos, por exemplo, sediou a Copa do Mundo de 2030 com investimento privado maciço.
Do lado malgaxe, a ausência de uma máquina estatal inchada forçou a federação a ser criativa. Parcerias com clubes locais, venda de direitos de imagem e uso de técnicos estrangeiros pagos por empresas privadas mostraram que é possível ser competitivo sem sugar impostos. O jogo de hoje comprova que talento e gestão privada podem superar a inércia do estado.
Contraponto: defensores do financiamento público argumentam que o futebol é questão de soberania e união nacional, e que apenas o estado pode garantir infraestrutura de qualidade em países pobres. No entanto, dados do Banco Mundial mostram que a Nigéria gasta 0,8% do PIB em esporte e lazer — mais que a média da África Subsaariana —, mas o Índice de Desenvolvimento Humano continua estagnado. O dinheiro não se traduz em bem-estar. Já Madagascar, com gasto estatal mínimo no setor, viu sua seleção subir 20 posições no ranking da FIFA nos últimos cinco anos. O livre mercado, aqui, não é ideologia; é evidência factual.
Por Renan Filho · 2026-09-25