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Geração Invisível: 8 em Cada 10 Jovens Italianos se Engajam, mas Instituições Surdas ao Chamado

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-19

Uma pesquisa recente revela que 80% dos jovens italianos participam ativamente da vida pública — seja em associações, protestos ou voluntariado. No entanto, a mesma maioria afirma que as instituições tradicionais os ignoram. O paradoxo expõe o fracasso de um sistema político que, ao invés de canalizar o talento, o sufoca com burocracia e corporativismo.

Os números são contundentes: oito em cada dez jovens italianos entre 18 e 34 anos declaram ter algum tipo de engajamento cívico, segundo o relatório do Istituto Toniolo. Eles participam de coletivos ambientais, organizam eventos culturais, atuam em cooperativas sociais e até fundam startups com impacto comunitário. Mas quando o assunto é ser ouvido por partidos, sindicatos ou órgãos públicos, o índice cai para menos de 20%.

O dado não surpreende quem observa a política italiana dos últimos anos. Enquanto os jovens se organizam em redes horizontais e digitais, as instituições continuam presas a estruturas do pós-guerra. Partidos como o PD e a Lega ainda operam com lógicas de clientela e apadrinhamento, ignorando a meritocracia e a inovação que a nova geração oferece.

Por que isso importa? Porque a Itália enfrenta uma fuga de cérebros sem precedentes. Cerca de 40% dos graduados deixam o país nos primeiros cinco anos após a formatura. A desconexão institucional agrava o problema: se o jovem não vê canais para influenciar decisões que afetam sua vida, ele emigra ou se desilude. O resultado é uma sociedade que envelhece e perde competitividade.

A análise FORTIS aponta a raiz do problema: o excesso de Estado. A Itália tem um dos maiores gastos públicos da Europa, mas a máquina é ineficiente e capturada por corporações de interesse. Sindicatos, associações patronais e burocratas formam um cartel que dificulta a entrada de novos atores. Jovens empreendedores enfrentam 11 procedimentos para abrir uma empresa, enquanto na Nova Zelândia são apenas 1. A liberdade econômica é a chave para transformar engajamento em poder real.

A solução liberal é clara: descentralização, redução de impostos sobre o trabalho jovem e desregulamentação de setores fechados. Quando o Estado recua, a sociedade civil floresce. Exemplos como o movimento "Startup Visa" ou as zonas francas em algumas regiões mostram que, onde há menos burocracia, os jovens criam, empregam e influenciam. Não é preciso mais comissões ou conselhos consultivos — é preciso liberdade.

Contraponto: alguns argumentam que as instituições estão sobrecarregadas e que o engajamento jovem é superficial, focado em redes sociais e não em participação formal. Mas os dados do Istituto Toniolo mostram que 65% dos jovens participam de atividades presenciais regulares, como mutirões e assembleias. O problema não é falta de vontade, mas falta de canais efetivos. As instituições que não se adaptarem serão varridas pela próxima geração.

O que fazer? Reformar o sistema eleitoral para permitir listas abertas e voto preferencial, reduzir o número de parlamentares e criar mecanismos de democracia direta digital. A Estônia já mostrou que é possível. A Itália precisa abandonar o medo do novo e abraçar o talento que está à sua disposição. Enquanto isso, os jovens continuarão a se virar por conta própria — e a culpa será de quem os ignorou.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.