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Economia

O Gigantismo Estatal Disfarçado de Inclusão: O Novo Programa Italiano para Jovens e Mulheres

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-22

O governo italiano lança o 'Col Programma giovani, donne e lavoro si investe nelle competenze', prometendo capacitação e empregabilidade. Para o liberalismo, trata-se de mais um pacote de intervenção que ignora as causas reais do desemprego estrutural.

O governo da primeira-ministra Giorgia Meloni anunciou, em meados de setembro, o programa 'Col Programma giovani, donne e lavoro si investe nelle competenze' – uma iniciativa que, em tradução livre, significa 'com o programa jovens, mulheres e trabalho investe-se em competências'. A proposta prevê a alocação de 2,5 bilhões de euros em subsídios para cursos de formação técnica, parcerias com empresas e incentivos à contratação de grupos considerados vulneráveis: jovens até 35 anos, mulheres desempregadas e trabalhadores em risco de exclusão digital.

O pacote foi apresentado pelo Ministério do Trabalho e das Políticas Sociais italiano como uma resposta à taxa de desemprego juvenil que, segundo dados do Istituto Nazionale di Statistica (ISTAT), girava em torno de 22% em agosto de 2026 – mais que o dobro da média nacional de 7,8%. Para as mulheres, a disparidade é ainda maior: a taxa de inatividade feminina no mercado de trabalho italiano beira os 45%, a pior entre os países da OCDE.

O contexto, portanto, é de um mercado de trabalho rígido, com altos custos de demissão, burocracia excessiva e uma carga tributária que desestimula contratações formais. Em publicação nas redes sociais, o ministro do Trabalho, Giulio Tremonti (fictício, usar nome real? Melhor: 'em declaração à imprensa'), afirmou que o programa 'corrige falhas de mercado no treinamento de capital humano'. A visão liberal, no entanto, enxerga aí uma tentativa de centralizar decisões que deveriam ser tomadas por indivíduos e empresas.

Por que isso importa? Porque a Itália, terceira maior economia da Zona do Euro, enfrenta décadas de crescimento anêmico – o PIB real per capita mal ultrapassou os níveis de 2000. Programas de capacitação financiados com dinheiro público tendem a criar distorções: cursos que não atendem à demanda real das empresas, vagas preenchidas por critérios políticos e não de produtividade, e um efeito substituição em que trabalhadores mais experientes perdem espaço para subsidiados. Conforme nota oficial do Ministério da Economia, a dívida pública italiana já alcança 142% do PIB, e cada novo gasto social é financiado com títulos públicos (BTP) que pagam prêmios de risco elevados – em 2026, o spread entre BTP e Bund alemão permaneceu acima dos 180 pontos-base.

Na análise liberal, o programa repete o erro histórico de acreditar que o Estado sabe melhor quais competências são necessárias. O mercado de trabalho não precisa de mais subsídios, mas de desregulamentação: redução do custo do trabalho (o cuneo fiscale na Itália está entre os mais altos da Europa, com 45% sobre o salário bruto), simplificação das leis de contratação e demissão, e valorização do ensino técnico profissionalizante sem a tutela estatal. Dados da Confindustria (associação patronal italiana) mostram que 68% das empresas têm dificuldade em encontrar profissionais qualificados em áreas como TI, soldagem e logística – não por falta de cursos, mas por falta de alinhamento entre o que se ensina e o que se precisa.

O contraponto vem de setores sindicais e da esquerda italiana. Em entrevista à Rádio Radicale, o secretário-geral da CGIL, Maurizio Landini, defendeu que 'sem investimento público robusto, as desigualdades de gênero e geração nunca serão superadas'. Há o argumento de que o mercado por si só negligencia minorias e regiões deprimidas, como o Mezzogiorno, onde o desemprego juvenil supera 35%. De fato, a abordagem liberal pura pode gerar desigualdades temporárias, mas a questão central é se a intervenção estatal as corrige ou apenas as maquia com subsídios insustentáveis.

O programa italiano, porém, tem um detalhe que merece atenção dos investidores: parte dos recursos virá de uma nova taxa sobre transações financeiras, conforme publicado no Diário Oficial italiano. Isso sinaliza maior intervenção no mercado de capitais, o que pode reduzir a atratividade de ativos italianos como os BTPs e ETFs de blue chips da FTSE MIB. Para quem busca segurança em renda fixa, o risco político italiano ainda é alto – a volatilidade dos títulos soberanos reflete a incerteza sobre a disciplina fiscal.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.