Em 2001, um investidor anônimo adquiriu por US$ 2,5 milhões a mansão de 1915 localizada em Los Angeles que um dia pertenceu ao lendário boxeador Muhammad Ali. A transação foi registrada no Los Angeles County Assessor e amplamente noticiada pelo Los Angeles Times na época. O imóvel, uma propriedade mediterrânea de 5.000 pés quadrados, estava em estado de deterioração.
O comprador, identificado como um desenvolvedor imobiliário, realizou uma reforma completa nos anos seguintes. Segundo relatos do site Redfin, a mansão foi listada para venda em 2015 por US$ 8,9 milhões e, posteriormente, vendida por valor próximo a US$ 10 milhões. A valorização de aproximadamente 300% em 14 anos supera amplamente o retorno médio do mercado imobiliário americano no período, que segundo o S&P/Case-Shiller Index foi de cerca de 50%.
Por que isso importa para a Índia? O mercado imobiliário indiano, especialmente em cidades como Mumbai e Delhi, sofre com entraves burocráticos, leis de controle de aluguéis ultrapassadas e um sistema de registro de propriedades ineficiente. Conforme dados do Banco Mundial, o tempo médio para registrar uma propriedade na Índia é de 67 dias, contra 12 dias nos Estados Unidos. A diferença se reflete na liquidez e na valorização dos ativos.
A análise FORTIS enxerga no caso da mansão de Ali um exemplo clássico de como a segurança jurídica e a liberdade de transação impulsionam o valor imobiliário. Nos Estados Unidos, o proprietário pôde reformar, melhorar e vender sem enfrentar licenças excessivas ou disputas fundiárias. Na Índia, um imóvel similar provavelmente estaria travado em litígios ou sujeito a desapropriações arbitrárias.
O contraponto vem de críticos que apontam a gentrificação e o aumento da desigualdade como consequências da especulação imobiliária. No entanto, a perspectiva liberal defende que a valorização reflete a demanda genuína por moradia de qualidade e a eficiência do mercado. O problema não é o livre mercado, mas a ausência dele em setores como habitação popular.
Para o investidor indiano, a lição é direta: buscar ativos em jurisdições com baixa carga tributária sobre ganhos de capital, regras claras de zoneamento e proteção à propriedade privada. A mansão de Muhammad Ali não é apenas um pedaço da história do esporte, mas um testemunho do poder do capitalismo desimpedido.
Por Renan Filho · 2026-09-21