O cantor e guitarrista John Oates, conhecido mundialmente pela dupla Hall & Oates, concluiu a venda de seu rancho particular em Woody Creek, Colorado, por US$ 6,9 milhões (cerca de R$ 39 milhões na cotação atual). A propriedade de 10 hectares foi inteiramente construída por Oates ao longo de duas décadas, desde a fundação até o paisagismo, em uma demonstração de como o direito à propriedade privada e a liberdade de construir geram valor real.
Segundo informações do setor imobiliário local, divulgadas pela agência Douglas Elliman, o rancho inclui uma residência principal de 460 m², estábulo, galpão para tratores e um lago particular. Oates, que passou a maior parte da pandemia no local, decidiu vender após mudar seu foco para projetos na costa leste dos Estados Unidos. A transação foi fechada em setembro de 2026, com pagamento à vista, sem necessidade de financiamento bancário.
O caso chama a atenção não pelo valor em si — afinal, propriedades em regiões montanhosas do Colorado são comuns entre celebridades —, mas pelo processo de construção. Oates comprou o terreno ainda bruto, sem qualquer infraestrutura, e arcou com todos os custos de desenvolvimento. Isso só foi possível porque o sistema de licenciamento e zoneamento do Condado de Pitkin é previsível, os impostos sobre a propriedade são baixos (cerca de 0,5% ao ano do valor venal) e não há entraves trabalhistas ou ambientais que inviabilizem obras.
Por que isso importa para o Brasil? Enquanto o Estado brasileiro tributa pesadamente a propriedade rural e urbana — IPTU, ITR, ITCMD, além de impostos sobre a construção e a venda — e ainda impõe um emaranhado de licenças que podem levar anos, nos Estados Unidos um cidadão comum pode comprar um terreno, construir sua casa e vendê-la sem que o governo fique com metade do valor. Oates, por exemplo, pagou imposto de ganho de capital sobre a venda, mas a alíquota máxima federal é de 20%, e o estado do Colorado cobra 4,4% adicionais. No Brasil, o ganho de capital sobre imóveis pode chegar a 27,5% para pessoas físicas, e ainda há o ITBI na compra.
Análise FORTIS: A venda do rancho de John Oates é uma ilustração perfeita do que o livre mercado e a segurança jurídica podem produzir. Um artista, sem ser incorporador ou construtor, conseguiu criar um ativo valioso com seu próprio esforço e capital. Isso só foi possível porque o governo americano não exige licenças prévias absurdas, não tributa a propriedade de forma confiscatória e respeita o direito de usar o solo. Em contraste, o modelo brasileiro — herança do estatismo português e do intervencionismo desenvolvimentista — transforma qualquer obra em uma via-crúcis burocrática. O resultado é que o Brasil tem um déficit habitacional de 6 milhões de moradias, enquanto nos EUA qualquer um com recursos pode construir onde a lei permite.
Contraponto: Defensores do intervencionismo estatal argumentam que o controle rigoroso do uso do solo evita degradação ambiental e especulação imobiliária. No entanto, os dados mostram que o Colorado, com regras claras e flexíveis, mantém 80% de seu território preservado e tem um dos mercados imobiliários mais estáveis dos EUA. Já o Brasil, com um dos maiores passivos ambientais do mundo, tem leis tão complexas que incentivam a grilagem e a informalidade. A verdade factual é que a liberdade de construir, quando combinada com responsabilidade civil e contratos privados, gera mais riqueza e menos danos ao meio ambiente do que a regulação estatal discricionária.
Por Renan Filho · 2026-09-24