Aos 12 anos, ele vendia amendoim torrado nas calçadas de uma cidade indiana para ajudar a família. Quarenta anos depois, o mesmo homem administra uma fazenda de 16 acres no coração do Texas, com um vinhedo premiado e uma operação agropecuária que emprega dezenas de funcionários. A história de Rajesh Patel (nome fictício preservado a pedido da família) não é exceção — é a regra quando o Estado não atrapalha.
Patel abandonou a escola formal na sexta série. Não por falta de capacidade, mas por necessidade. A família, de origem humilde no estado de Gujarat, não tinha recursos para mantê-lo estudando. Ele começou vendendo amendoim em um carrinho de mão, depois migrou para a venda de vegetais em feiras livres. Aos 17 anos, com a economia indiana ainda fortemente controlada por licenças e burocracia estatal — o chamado "License Raj" —, Patel tomou uma decisão que mudaria sua vida: emigrar.
Com uma economia de US$ 800, ele chegou aos Estados Unidos em 1987. Trabalhou inicialmente como frentista em um posto de gasolina em Houston, depois como ajudante em uma fazenda de gado leiteiro. Foram 15 anos de trabalho braçal, sem qualquer assistência governamental. "Nunca pedi um centavo ao governo. Aprendi que nos Estados Unidos você só precisa de duas coisas: disposição para trabalhar e alguém disposto a pagar pelo seu trabalho", declarou Patel em publicação nas redes sociais no mês passado.
Em 2002, Patel comprou os primeiros 5 acres de terra no condado de Gillespie, Texas, com financiamento de um banco local. A terra era árida, mas barata. Ele plantou uvas — variedades resistentes ao calor — e começou a produzir vinho artesanal. A operação cresceu. Hoje, a Patel Vineyards produz 12 mil garrafas por ano, com vendas para restaurantes em Austin e San Antonio. A fazenda também cria gado Angus e cultiva nozes-pecã.
A história de Patel contrasta brutalmente com a realidade de milhões de brasileiros que tentam empreender no agronegócio. Enquanto um imigrante indiano sem diploma conseguiu, nos Estados Unidos, construir um patrimônio agrícola em 20 anos, um brasileiro na mesma situação enfrenta uma verdadeira via-crúcis burocrática: registro no CAR, licença ambiental, outorga de água, ITR, Funrural, ICMS, ISS, alvará de funcionamento, vigilância sanitária, e por aí vai. O Brasil tem mais de 90 obrigações acessórias para o produtor rural. O Texas tem menos de 10.
Por que isso importa? Porque a narrativa dominante no Brasil — repetida por governos petistas e tucanos — é de que o pequeno produtor precisa de subsídio, crédito subsidiado e assistência técnica estatal para sobreviver. A história de Patel mostra o oposto: o que o pequeno produtor precisa é de baixa carga tributária, menos burocracia e segurança jurídica. Nos Estados Unidos, Patel não recebeu um centavo do USDA (Departamento de Agricultura) para começar. Ele pagou impostos baixos, contratou funcionários sem medo de ações trabalhistas predatórias, e vendeu sua produção sem precisar de nota fiscal eletrônica para cada caixa de uva.
Análise FORTIS: O caso Patel é um tapa de luva de pelica na esquerda brasileira, que insiste em tratar o empreendedor como um explorador que precisa ser controlado. A verdade factual é que o Brasil tributa o setor agrícola como se fosse uma mina de ouro, mas entrega estradas esburacadas, portos ineficientes e um sistema de irrigação que não funciona. Enquanto isso, um imigrante indiano sem estudo formal construiu um vinhedo de sucesso no Texas com base em trabalho duro, mercado livre e um Estado que não o sufoca.
Contraponto necessário: Críticos podem argumentar que Patel teve sorte — imigrou para o país mais rico do mundo em um momento de expansão econômica. É verdade. Mas sorte não explica a resiliência de 15 anos de trabalho braçal, nem a decisão de comprar terra árida e transformá-la em vinhedo produtivo. A diferença central é que, nos Estados Unidos, o Estado não impede que o mérito individual floresça. No Brasil, o Estado impede ativamente.
Por Renan Filho · 2026-09-24