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Economia

Índia: entre o crescimento econômico e o expansionismo estatal – uma análise liberal-conservadora

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-26

Enquanto a Índia celebra um PIB em alta e reformas pontuais, o aumento dos gastos públicos e a carga tributária ameaçam sufocar o empreendedorismo. O FORTIS NEWS analisa os principais eventos do país sob a ótica do livre mercado.

A Índia vive um momento paradoxal. De um lado, o crescimento do PIB mantém-se robusto, com projeções de 6,5% para o ano fiscal de 2026-27, segundo o Fundo Monetário Internacional. De outro, o governo liderado por Narendra Modi expande programas de transferência de renda e subsídios, contrariando o discurso de disciplina fiscal que marcou seu primeiro mandato. Os dados oficiais do Ministério das Finanças indiano mostram que o déficit orçamentário deve fechar em 5,8% do PIB, acima da meta inicial de 4,9%.

O que preocupa os defensores do livre mercado é o custo desse expansionismo. A carga tributária sobre o setor produtivo já é elevada: a alíquota efetiva do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (incluindo sobretaxas) chega a 34,9%, segundo a consultoria PwC. Enquanto isso, o gasto público com programas como o Pradhan Mantri Garib Kalyan Yojana (auxílio aos pobres) cresceu 22% em termos reais, sem contrapartidas claras de eficiência. Em publicação nas redes sociais, o economista indiano Surjit Bhalla criticou a falta de foco em investimentos em infraestrutura logística, que poderiam aumentar a competitividade.

Por que isso importa? A Índia tem a oportunidade de se consolidar como a próxima grande potência manufatureira, especialmente com a reconfiguração das cadeias globais pós-pandemia. No entanto, o excesso de burocracia e a intervenção estatal em setores como a agricultura – com a recente retomada de controles de preços do trigo – afastam investidores estrangeiros. Dados da UNCTAD indicam que o fluxo de IDE para a Índia caiu 12% em 2025, contrastando com o crescimento no Vietnã e na Indonésia. O governo Modi precisa escolher: continuar com o populismo fiscal ou retomar o caminho das reformas estruturais que o elegeram.

A análise do FORTIS NEWS: o discurso de nacionalismo econômico, que agrada à base conservadora, não pode servir de disfarce para o aumento do tamanho do Estado. A soberania nacional é importante, mas ela se fortalece com empresas competitivas, não com estatais ineficientes ou com reservas de mercado. Um exemplo recente foi a decisão de restringir importações de aço, que elevou os custos para a indústria local. Em declaração à imprensa, a Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da Índia (FICCI) alertou que a medida pode gerar retaliações comerciais e prejudicar as exportações de manufaturados.

Contraponto: defensores das medidas argumentam que a proteção industrial é necessária em um mundo de guerras comerciais e que o gasto social reduziu a pobreza. De fato, o Banco Mundial reconheceu que a taxa de pobreza caiu de 21% para 15% entre 2020 e 2025. No entanto, os críticos apontam que o mesmo resultado poderia ser alcançado com menos Estado, por exemplo, simplificando o sistema tributário e reduzindo tarifas de importação. O ceticismo com relação aos dados oficiais também cresce: o próprio governo reajustou a metodologia de cálculo do PIB em 2024, gerando debates sobre a precisão das estatísticas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.