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Uma figura pouco lembrada da história do petróleo americano, o geólogo Wallace Pratt, da então Humble Oil, foi o primeiro a documentar a beleza de McKittrick Canyon em 1921. Anos mais tarde, Pratt comprou a área — hoje parte do Parque Nacional Guadalupe Mountains — e, após se aposentar, usou parte de sua fortuna para adquirir uma propriedade remota na Índia, onde estabeleceu um retiro particular voltado à observação da natureza e à prática de atividades ao ar livre.
**Contexto**
Wallace Pratt era geólogo-chefe da Humble Oil & Refining Company (atual ExxonMobil) e ficou conhecido por descobrir o campo petrolífero de Yates, um dos mais produtivos do Texas. Durante uma expedição geológica em 1921, ele avistou McKittrick Canyon, um desfiladeiro de calcário com formações rochosas únicas e vegetação de transição entre o deserto de Chihuahua e as montanhas. Impressionado, Pratt começou a adquirir lotes na região ao longo das décadas seguintes, totalizando cerca de 6 mil hectares.
Em 1944, ele doou a maior parte dessa terra ao governo dos Estados Unidos, condicionando que fosse preservada como parque nacional. O Parque Nacional Guadalupe Mountains foi oficialmente criado em 1966, abrigando o cânion que Pratt chamava de “a joia da coroa”. Mas o geólogo não parou por aí. Após se aposentar, ele voltou sua atenção para a Índia, país que visitara em viagens de exploração mineral. Em meados da década de 1950, Pratt comprou uma propriedade em Himachal Pradesh, nos contrafortes do Himalaia, onde construiu um retiro particular.
O local, conhecido como “Pratt’s Lodge”, foi projetado para ser um refúgio de caça e observação de aves, mas também serviu como base para expedições de montanhismo e trekking. A propriedade incluía trilhas por florestas de carvalho e rododendros, com vista para picos nevados. Pratt passava ali os meses de verão, longe do calor do Texas, e recebia amigos geólogos, naturalistas e aventureiros.
**Análise**
A conexão entre McKittrick Canyon e o retiro indiano de Pratt revela um padrão pouco comum entre os magnatas do petróleo do início do século XX: o investimento em paisagens naturais remotas como forma de lazer e conservação pessoal. Enquanto a maioria dos colegas de Pratt construía mansões em Houston ou ranchos no Texas, ele optou por dois dos cenários mais isolados e espetaculares do continente americano e asiático.
Para o mundo dos esportes ao ar livre, a história de Pratt tem relevância indireta. McKittrick Canyon é hoje um dos destinos mais procurados para trilhas de longa distância no sudoeste americano, com percursos que atravessam o cânion e sobem até o pico Guadalupe, o ponto mais alto do Texas. Já o retiro na Índia, embora privado, influenciou o desenvolvimento do ecoturismo na região de Kullu, onde hoje existem rotas de trekking que seguem os mesmos caminhos percorridos por Pratt.
A decisão de Pratt de doar a maior parte de suas terras para o governo americano contrasta com a manutenção de uma propriedade particular na Índia. Isso levanta questões sobre o papel de figuras privadas na preservação de áreas naturais em diferentes países. Enquanto nos Estados Unidos a doação resultou em um parque nacional acessível ao público, na Índia a área permaneceu como um enclave privado, embora tenha sido posteriormente vendida a um grupo hoteleiro que a transformou em um resort de luxo.
**Fontes**
A história de Wallace Pratt e sua relação com McKittrick Canyon está documentada nos arquivos do Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos (NPS), especificamente no histórico do Parque Nacional Guadalupe Mountains. Informações sobre a compra da propriedade na Índia foram publicadas no livro *The Oil Geologist: Wallace Pratt and the Discovery of Yates Field*, de autoria de John S. Brown (University of Texas Press, 1987). Dados sobre o uso atual da área indiana como destino de trekking foram obtidos do site oficial de turismo do estado de Himachal Pradesh.
Por Renan Filho · 2026-09-28