O condado de Polk, na Flórida, foi palco de mais um capítulo trágico da crise do welfare state. Na última semana, uma mãe de 42 anos, cujo nome foi preservado pela polícia local, tentou tirar a vida dos dois filhos autistas, de 8 e 10 anos, dentro da própria casa. Segundo o xerife Grady Judd, em entrevista coletiva transmitida pela WFLA-TV, a mulher afirmou que “estava muito difícil cuidar deles” depois que o marido faleceu em um acidente de trabalho há seis meses.
A mãe teria administrado uma overdose de medicamentos controlados nos meninos e depois tentado se suicidar. Um dos filhos foi encontrado com parada cardiorrespiratória e segue em estado crítico; o outro, apesar de intoxicado, sobreviveu. Em publicação nas redes sociais, a mãe escreveu: “Não aguento mais. Eles precisam de cuidados que eu não posso dar sozinha.” A polícia a prendeu sob acusação de tentativa de homicídio qualificado.
O caso reabre o debate sobre o custo real do autismo em países sem liberdade de escolha em saúde e educação. Nos Estados Unidos, famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) enfrentam uma burocracia sufocante para obter terapias comportamentais, enquanto o sistema público — o Medicaid — impõe listas de espera de até dois anos. A mãe, que era dona de casa e dependia do seguro saúde do marido, perdeu a cobertura após a viuvez. Conforme relatório do Departamento de Saúde da Flórida, a renda familiar caiu 70%.
Por que isso importa para a Índia? O país asiático tem a maior população de autistas do mundo em números absolutos, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde. No entanto, o governo indiano ainda trata o autismo como uma “deficiência mental” genérica, sem protocolos específicos de intervenção precoce. Em nota oficial, o Ministério da Saúde indiano afirmou que “estuda ampliar o programa Niramaya”, um seguro de saúde para pessoas com deficiência, mas a cobertura é ínfima: apenas 0,3% dos autistas indianos têm acesso a terapias baseadas em Análise do Comportamento Aplicada (ABA).
A análise FORTIS é direta: o Estado não pode ser o único provedor de cuidado, porque ele sempre será lento, genérico e ineficiente. A tragédia na Flórida é consequência de um modelo que concentra recursos em hospitais públicos e burocratas, em vez de empoderar as famílias com vouchers, contas de poupança em saúde e liberdade para contratar terapeutas privados. Na Índia, o cenário é agravado pelo socialismo de fachada: o governo de Narendra Modi gasta bilhões em subsídios agrícolas e programas de transferência de renda, mas ignora a criação de um mercado de serviços para autismo.
O contraponto vem de setores que defendem a ampliação do Estado de bem-estar social. Em declaração à imprensa, a ativista indiana Meera Sharma, da ONG Autism Rights India, afirmou: “O problema não é a falta de Estado, é a má gestão. Precisamos de mais creches públicas, mais hospitais e mais psicólogos no sistema público.” A afirmação, embora bem-intencionada, ignora que a Índia já tem um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo — o Ayushman Bharat — e mesmo assim as filas são intermináveis. O que falta não é Estado, é liberdade econômica para que as famílias possam escolher onde gastar seus recursos.
A mãe da Flórida não precisava de um Estado maior. Precisava de um cheque mensal que lhe permitisse contratar um cuidador noturno, de um plano de saúde portátil que não expirasse com a morte do marido e de uma escola especializada que aceitasse seus filhos sem burocracia. Tudo isso poderia ser viabilizado por um sistema de contas individuais de saúde e educação, como o defendido pelo economista indiano Jagadeesh Rao em artigo no The Indian Express. Mas, enquanto o debate público for dominado por pedidos de “mais Estado”, tragédias como essa continuarão a se repetir — tanto na Flórida quanto em Mumbai.
O caso também expõe a hipocrisia do discurso de “inclusão” promovido por governos progressistas. Na Flórida, o governador Ron DeSantis já havia cortado verbas para programas de saúde mental em 2023, segundo o Orlando Sentinel. Na Índia, o governo Modi prometeu “centros de excelência” para autismo em 2020, mas até hoje apenas três foram inaugurados. A retórica de inclusão é barata; o custo real do cuidado é deixado para as mães.
A liberdade de escolher o próprio tratamento, o próprio cuidador e a própria escola é a única saída para famílias atípicas. O Estado não pode amar uma criança autista. Uma mãe, sim. Mas para isso ela precisa de recursos, não de burocratas.
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**1. O que levou a mãe a tentar matar os filhos?** Segundo a polícia local e publicações nas redes sociais da própria acusada, a sobrecarga financeira e emocional após a morte do marido foi o estopim. Ela perdeu o seguro saúde, a renda caiu drasticamente e não havia suporte público suficiente para cuidar de duas crianças com autismo severo. O caso revela a falta de redes de apoio baseadas em liberdade de escolha, como vouchers para contratação de cuidadores.
**2. Como a Índia pode evitar casos semelhantes?** Conforme análise de especialistas como Jagadeesh Rao, a Índia precisa descentralizar o cuidado. Em vez de ampliar hospitais públicos ineficientes, o governo deveria criar contas individuais de saúde e educação, permitindo que as famílias contratem terapeutas e escolas privadas. Além disso, é urgente eliminar barreiras regulatórias que impedem a entrada de clínicas especializadas no mercado. Sem liberdade econômica, o sofrimento das mães indianas será igual ao da mãe na Flórida.
Por Renan Filho · 2026-09-21