Enquanto governos ao redor do mundo empurram subsídios e impostos para financiar a "transição energética", um case real do meio-oeste americano mostra que o caminho mais eficiente pode ser o da iniciativa privada. Em 2024, a fazendeira Evie Haupt, proprietária de terras agrícolas no estado de Iowa, conseguiu transformar vento em dinheiro — e dívida em alívio.
Segundo informações divulgadas pela própria agricultora em suas redes sociais, Haupt instalou três turbinas eólicas em sua propriedade por meio de um contrato de arrendamento com uma empresa privada de energia. O acordo permitiu que ela recebesse pagamentos anuais fixos mais uma participação na geração de eletricidade. O resultado: uma renda extra de US$ 35 mil por ano, que ela usou para abater o saldo devedor de sua fazenda, hoje em US$ 67 mil.
O caso ganhou atenção justamente por contrariar a narrativa dominante de que a energia renovável depende de enormes injeções de dinheiro público. Em Iowa, o mercado de energia eólica é maduro e conta com regras claras de propriedade e compensação. As empresas privadas competem por contratos com proprietários rurais, que podem escolher as melhores condições sem a intermediação do Estado.
Por que isso importa? Porque em países como Brasil e Índia, o setor energético é fortemente regulado, tributado e, muitas vezes, monopolizado por estatais. Enquanto um agricultor americano pode negociar diretamente com geradoras privadas, um produtor rural brasileiro enfrenta entraves burocráticos, altos impostos sobre equipamentos e um mercado de energia amarrado a leilões governamentais. Na Índia, a situação é semelhante: a burocracia e a intervenção estatal tornam inviável um modelo descentralizado como o de Haupt.
Análise FORTIS: O sucesso de Evie Haupt é a prova viva de que o livre mercado entrega resultados que o Estado jamais conseguiria — e com muito menos custo para o contribuinte. Enquanto a esquerda prega que a energia limpa só avança com subsídios e planejamento central, os dados mostram que a desregulamentação e a segurança jurídica são os verdadeiros motores da inovação. Nos Estados Unidos, a ausência de um imposto estadual sobre a renda em Iowa (alíquota zero para pessoas físicas) também contribui para que o dinheiro extra fique no bolso do produtor, e não nos cofres públicos.
Contraponto: Críticos apontam que as turbinas eólicas dependem de incentivos fiscais federais, como o Production Tax Credit (PTC), e que sem eles o negócio não seria viável. De fato, o PTC existe, mas ele é um crédito fiscal — não um subsídio direto. Além disso, muitos contratos privados já incorporam esses incentivos de forma transparente. Outro argumento é que as turbinas alteram a paisagem e podem afetar aves. Contudo, estudos da própria Iowa State University indicam que o impacto é mínimo e amplamente compensado pela redução de emissões e pela geração de renda local.
O modelo de Haupt não é uma exceção no estado. Dados da American Wind Energy Association mostram que mais de 8.000 proprietários de terras em Iowa recebem pagamentos anuais de empresas eólicas, totalizando cerca de US$ 20 milhões por ano. A diferença é que a maioria não compartilha abertamente seus números. Haupt optou por divulgar sua experiência para inspirar outros agricultores.
Por Renan Filho · 2026-09-26