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Internacional

Indonésia Reafirma Compromisso com Multilateralismo na ONU: Entre a Retórica da Paz e os Custos do Intervencionismo Global

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-22

Em discurso na Assembleia Geral da ONU, a Indonésia defendeu multilateralismo e paz global. Uma análise liberal-conservadora revela os custos ocultos dessa agenda e as contradições entre a retórica e a realidade do financiamento internacional.

NOVA YORK – A Indonésia, representada por seu Ministro das Relações Exteriores, Retno Marsudi, subiu à tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira para reafirmar seu compromisso com o multilateralismo e a paz global. Em um discurso que ecoou os anseios de nações em desenvolvimento, Jacarta pediu uma reforma do sistema internacional, maior cooperação Sul-Sul e o fortalecimento de mecanismos multilaterais para enfrentar crises, da pandemia às mudanças climáticas. A declaração, porém, merece um exame à luz dos princípios de livre mercado e soberania nacional.

A posição indonésia não é nova. Desde sua independência, o país se apresenta como um pilar do Movimento Não Alinhado e um defensor da ordem multilateral pós-1945. No entanto, a realidade fiscal e geopolítica contemporânea impõe limites a essa retórica. O multilateralismo, quando mal concebido, torna-se um veículo para a transferência de recursos de contribuintes de países emergentes para burocracias internacionais ineficientes.

Por que isso importa? O discurso indonésio ocorre em um momento em que a própria ONU enfrenta uma crise de credibilidade. O Conselho de Segurança, paralisado por vetos, falhou em prevenir ou resolver conflitos na Ucrânia, em Gaza e no Sahel. Enquanto isso, agências como a OMS e a UNESCO são frequentemente acusadas de politização e má gestão fiscal. Para o contribuinte indonésio, cada dólar enviado a essas organizações é um dólar que deixa de ser investido em educação, saúde ou infraestrutura doméstica.

Análise FORTIS: A defesa do multilateralismo pela Indonésia é compreensível do ponto de vista geopolítico. Como uma potência média e economia emergente, Jacarta busca assentos em mesas de decisão globais. No entanto, o liberal-conservadorismo nos obriga a perguntar: a quem esse multilateralismo realmente serve? Muitas vezes, ele serve a uma elite globalista que promove agendas de engenharia social e climática, enquanto impõe custos regulatórios e tributários a nações soberanas.

O discurso de Retno Marsudi, conforme repercutido pela imprensa local e internacional, enfatizou a necessidade de uma “recuperação global inclusiva”. Mas a história mostra que o caminho mais eficaz para a recuperação econômica não é a coordenação burocrática em Nova York, mas sim a abertura de mercados, a segurança jurídica e a redução da carga tributária sobre empreendedores e famílias. O “multilateralismo” que impõe padrões ambientais e trabalhistas uniformes, sem considerar as realidades locais, é, na prática, um protecionismo disfarçado.

Contraponto: É justo reconhecer que a Indonésia não está errada ao buscar um sistema internacional mais estável. A paz global é um bem público que beneficia o comércio e o investimento. Nenhum país, especialmente uma nação arquipelágica com rotas marítimas vitais, prospera em meio ao caos geopolítico. A crítica aqui não é à busca pela paz, mas aos meios propostos. A história demonstra que o comércio livre, e não a diplomacia coercitiva, é o maior promotor de paz entre as nações. A abordagem indonésia, ao enfatizar o diálogo e a cooperação, é preferível ao unilateralismo bélico de potências como os EUA e a Rússia.

O problema reside na implementação. O multilateralismo pregado pela Indonésia frequentemente se traduz em mais poder para burocracias não eleitas, como a própria ONU e suas agências. Para um país que luta contra a corrupção e a ineficiência estatal, delegar soberania a essas instituições é um risco. É mais sensato que a Indonésia lidere pelo exemplo: promovendo reformas domésticas que atraiam investimentos, reduzindo tarifas e fortalecendo o Estado de Direito, em vez de pedir reformas globais que podem levar décadas e resultar em mais do mesmo.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.