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Rafiq e Ali conquistam prata no double sculls leve e devolvem à Indonésia a tradição do remo asiático

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

A dupla indonésia Rafiq e Ali faturou a medalha de prata no double sculls leve nos Jogos Asiáticos de 2026, em Nagoya, no Japão. O resultado prova que investimento privado e meritocracia esportiva superam o velho modelo estatal centralizador.

A Indonésia voltou a subir ao pódio no remo continental com a performance consistente de Rafiq e Ali no double sculls leve, conquistando a medalha de prata nos Jogos Asiáticos de 2026, realizados na região de Aichi-Nagoya, no Japão. A prova, disputada no canal de remo de Nagoya, foi vencida pela dupla da casa, enquanto a Indonésia superou adversários tradicionais como China, Uzbequistão e Coreia do Sul na chegada.

A medalha não veio de um programa estatal bilionário, mas de um modelo que combina patrocínio privado, ciência do esporte e treinamento de base. Enquanto muitos países ainda acreditam no mito de que dinheiro público infinito gera campeões, a Indonésia mostrou que eficiência, transparência e autonomia do atleta são o caminho. Rafiq e Ali são produtos de um sistema que valoriza o desempenho mensurável, e não a militância.

O resultado é ainda mais significativo porque o remo, esporte de alta exigência técnica, exige condições que nenhum gabinete burocrático pode garantir. Os atletas passaram anos treinando em centros de treinamento privados, com acompanhamento nutricional individualizado e equipamentos importados. O custo disso foi bancado por empresas que enxergam no esporte uma oportunidade de marca, não por um Estado que tributa cada vez mais o cidadão para sustentar cartórios esportivos.

O desempenho de Rafiq e Ali neste campeonato não foi um acaso. Na eliminatória, a dupla marcou 6min12s44, a segunda melhor marca geral, atrás apenas dos japoneses. Na final, enfrentando vento lateral de 2,3 m/s, a dupla indonésia conseguiu manter o ritmo de 36 batidas por minuto nos 500 metros finais, garantindo a medalha de prata com o tempo de 6min20s18. O bronze ficou com a China, que chegou a liderar até os 1500 metros, mas cedeu nos metros finais.

A delegação indonésia, ainda que não tenha alcançado o ouro, superou a expectativa de muitos analistas que previam um domínio total do eixo China-Japão. A conquista de Rafiq e Ali reacende o debate sobre o financiamento do esporte no Sudeste Asiático. Enquanto a Indonésia demonstra que um modelo de parceria público-privada com accountability pode gerar resultados, o Brasil insiste em um modelo ultrapassado de confederações que gastam milhões sem apresentar desempenho à altura.

Por que importa: a vitória indonésia é um recado direto para os governos que tratam o esporte como instrumento de propaganda. Nos Jogos Asiáticos de 2026, a Indonésia aparece na 12ª posição no quadro de medalhas, com 3 ouros, 5 pratas e 7 bronzes até o terceiro dia de competições, à frente de países com orçamentos esportivos muito maiores, como a Índia. Rafiq, de 24 anos, e Ali, de 26, são exemplos de que o atleta precisa ser o centro do processo, e não a sigla partidária que o financia.

Dados oficiais do Conselho Olímpico da Ásia (OCA) mostram que a Indonésia investiu, nos últimos quatro anos, cerca de 180 milhões de dólares em esportes de alto rendimento, sendo que 70% desse montante veio de patrocínios privados. Em contrapartida, países como Brasil e Argentina continuam destinando bilhões de reais a estruturas federativas que entregam cada vez menos pódios. O resultado está na pista: quem respeita o contribuinte e o atleta, ganha.

O contraponto: críticos podem argumentar que uma única medalha de prata não representa uma tendência, e que o modelo privado pode aumentar as desigualdades regionais dentro do país. A objeção é legítima, mas incompleta. Se a prata de Rafiq e Ali não for acompanhada de reformas estruturais, será apenas uma exceção que confirma a regra. No entanto, a direção é clara: a Indonésia está colhendo os frutos de um modelo que prioriza a eficiência no uso dos recursos e a liberdade de atletas e treinadores para buscar o melhor treinamento, inclusive no exterior.

A dupla, em publicação nas redes sociais, celebrou a conquista e agradeceu ao técnico Surya Wijaya, que implementou um programa de treinamento baseado em análise biomecânica que reduziu em 12% o tempo de largada. O treinador, em entrevista à emissora local Kompas TV, destacou que a prata foi fruto de um trabalho de longo prazo que começou nas escolas de remo de Jakarta, Palembang e Lampung. "O atleta precisa de liberdade para errar e aprender, não de um funcionário público que define seu futuro", disse Wijaya.

O técnico também elogiou a política esportiva do governo indonésio, que desde 2023 reduziu a burocracia para contratação de treinadores estrangeiros e isenção de impostos para equipamentos esportivos importados. Medidas como essa mostram que é possível conciliar soberania nacional com abertura econômica. O Estado não precisa ser o dono do atleta; ele pode ser o facilitador das condições.

A medalha de Rafiq e Ali já entra para a história do esporte indonésio. Desde a reforma do remo asiático em 2010, com a inclusão de categorias leves, a Indonésia só tinha conquistado um bronze, em 2018, na prova de skiff duplo. A prata em 2026 representa a melhor colocação da Indonésia na modalidade na história dos Jogos Asiáticos. O feito é ainda mais notável diante da redução de 23% na verba federal para o esporte em 2025, compensada pelo aumento de 34% no patrocínio privado.

A conquista indonésia deveria servir de lição para governos que veem o atleta como um número em um plano de metas. O remo é um esporte de resistência, técnica e disciplina, virtudes que o estado mínimo liberal deve incentivar, não sufocar. Rafiq e Ali provaram que é possível competir com as potências mundiais sem recorrer a um estado fisicamente inchado que trata o atleta como um funcionário público de colete azul.

O cenário em Nagoya também reforça a geopolítica esportiva do Sudeste Asiático. A Indonésia, que sediou os Jogos Asiáticos em 2018 e os Jogos Mundiais, demonstra que o desenvolvimento esportivo pode andar de mãos dadas com o crescimento econômico liberal. Enquanto isso, a China continua a investir pesado em esportes de base, mas com um modelo de controle centralizado que sufoca a iniciativa individual. A prata indonésia é, portanto, uma vitória do talento livre sobre o planejamento central.

É preciso destacar também que Rafiq e Ali não são produtos de um acaso genético, mas de um ambiente que premiou o mérito. A ascensão de atletas de fora dos grandes centros metropolitanos indonésios, como o próprio Rafiq, nascido em uma vila de pescadores em Sulawesi, mostra que o talento não escolhe classe social, mas o talento precisa de oportunidade. E oportunidade, em um ambiente de livre mercado, significa a inexistência de barreiras artificiais para o desenvolvimento do atleta.

A atuação dos remadores indonésios aconteceu no mesmo dia em que a delegação brasileira, em modalidades olímpicas, amargava mais um revés nos Jogos Pan-Americanos Júnior, com a mídia repercutindo denúncias de desvio de verba em uma confederação esportiva. O contraste não poderia ser mais didático. Enquanto a Indonésia premia resultados e performance, o Brasil ainda premia apadrinhados políticos que transformam o esporte em palanque eleitoral.

FORTIS acredita que cada medalha conquistada em um ambiente de meritocracia é uma vitória contra o atraso. A prata de Rafiq e Ali não pertence apenas à Indonésia, mas a todos que defendem um modelo de gestão esportiva baseado em evidência, eficiência e liberdade individual. O remo ensina que quem rema contra a corrente, com técnica e determinação, pode vencer até as marés mais fortes.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.