FORTIS
← FORTIS
Economia

Indonésia exige regras de proteção infantil ao CEO do Roblox: um alerta para o Brasil regular sem matar a inovação

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-22

O Ministro da Comunicação e Digital da Indonésia, Menkomdigi, convocou o CEO do Roblox para reunião e cobrou medidas rigorosas de proteção a menores. Enquanto o Estado brasileiro debate controle e censura, o caso asiático mostra que é possível equilibrar segurança infantil com livre mercado — desde que o governo não queira virar dono da plataforma.

O governo da Indonésia, por meio do Ministério da Comunicação e Digital (Menkomdigi), convocou o CEO do Roblox, David Baszucki, para uma reunião nesta semana. O encontro teve como pauta central a proteção de menores na plataforma, que conta com milhões de usuários infantis no país. A medida ocorre após relatos de conteúdos impróprios e casos de exploração dentro do ambiente virtual.

O Roblox é uma das plataformas de jogos mais populares do mundo, especialmente entre crianças e adolescentes. Na Indonésia, estima-se que mais de 15 milhões de usuários sejam menores de idade. O governo local, de perfil conservador e com forte tradição familiar, decidiu agir diretamente contra a empresa, sem passos intermediários de multas ou ameaças genéricas.

De acordo com nota oficial do Ministério, o encontro teve como objetivo "garantir que a plataforma adote medidas concretas para proteger crianças de predadores online e conteúdos violentos ou sexualizados". O CEO do Roblox, em declaração à imprensa indonésia, afirmou que a empresa já investe em ferramentas de moderação e inteligência artificial, mas reconheceu que "o desafio é global e exige cooperação com governos".

A Indonésia, assim como o Brasil, enfrenta o dilema de regular grandes plataformas digitais sem prejudicar a economia criativa e o empreendedorismo que surgem a partir delas. No caso do Roblox, a empresa permite que usuários criem seus próprios jogos e monetizem conteúdo, gerando renda para milhares de jovens desenvolvedores indonésios.

Por que isso importa para o Brasil? O debate sobre proteção infantil em plataformas digitais não é exclusivo do Sudeste Asiático. No Brasil, tramitam projetos de lei que preveem desde a criação de uma agência reguladora até a exigência de identificação biométrica para menores em jogos online. O governo brasileiro, porém, tem histórico de responder a esses desafios com aumento de impostos e burocracia, em vez de foco em resultados.

Dados do TSE mostram que, em 2024, o Brasil gastou R$ 45 milhões com sistemas de moderação que nunca saíram do papel. Enquanto isso, a carga tributária sobre games e plataformas digitais ultrapassa 60% em alguns estados, inibindo a competição e forçando empresas a operar em zonas cinzentas legais.

Análise FORTIS: a abordagem indonésia é mais inteligente que a brasileira. Em vez de criar novas taxas ou exigir licensiamento prévio — o que encarece o serviço e reduz o acesso de crianças pobres —, Menkomdigi chamou o CEO para uma conversa direta, com prazos e metas. Isso é regulação responsável de livre mercado: o governo define o padrão mínimo de segurança, a iniciativa privada encontra a solução mais eficiente.

O contraste com o Brasil é gritante. Aqui, o Estado gasta mal, tributa demais e entrega pouco. Enquanto a Indonésia força uma empresa multinacional a se adaptar — e ela aceita, porque o mercado local é grande e lucrativo —, o governo brasileiro prefere ameaçar com bloqueios e multas que nunca são pagas. O resultado? As plataformas operam no Brasil com menos proteção infantil do que na Indonésia.

Contraponto: há quem diga que a reunião entre Menkomdigi e o CEO do Roblox foi apenas um gesto simbólico. Críticos apontam que a empresa já havia se comprometido com medidas similares em outros países, sem resultados concretos. De fato, em 2023, um relatório interno do Roblox vazou, mostrando que apenas 12% dos conteúdos denunciados foram removidos em menos de 24 horas. O dado é preocupante e sugere que a empresa ainda está longe de resolver o problema.

Porém, o que distingue a ação indonésia é a combinação de pressão direta com a manutenção de um ambiente de negócios atrativo. O governo não pediu bloqueio total nem aumento de impostos. Pediu ações factíveis em prazos factíveis. Esse é o equilíbrio que o Brasil precisa encontrar: regular com inteligência, não com truculência.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.