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Economia

Fluxo de capital estrangeiro na Indonésia atinge Rp140,7 trilhões: lições para o Brasil em livre mercado

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-23

O ministro da Fazenda indonésio, Suahasil Nazara, anunciou entrada recorde de capital externo. Enquanto a Indonésia colhe frutos da abertura econômica, o Brasil insiste em intervencionismo que afugenta investidores.

O governo da Indonésia, por meio do ministro da Fazenda Suahasil Nazara, divulgou nesta quarta-feira que o fluxo de capital estrangeiro para o país atingiu a marca de Rp140,7 trilhões (aproximadamente US$ 9,3 bilhões) no acumulado de 2026. Em declaração à imprensa local, Suahasil atribuiu o resultado à combinação de reformas pró-mercado, estabilidade política e disciplina fiscal. O número representa um aumento de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior, sinalizando confiança dos investidores globais na economia indonésia.

O montante inclui investimentos em portfólio (títulos públicos e ações) e investimento direto estrangeiro (IDE). Segundo dados do Banco Central da Indonésia (Bank Indonesia), a maior parte dos fluxos veio de fundos soberanos asiáticos, seguidos por instituições europeias e norte-americanas. Suahasil afirmou, em entrevista coletiva, que “a entrada de capital reflete a credibilidade da política econômica indonésia, ancorada em reformas estruturais e consolidação fiscal”.

Para contextualizar: a Indonésia tem adotado uma série de medidas liberalizantes desde 2023, incluindo a simplificação do sistema tributário, a redução de subsídios distorcivos e a abertura de setores antes protegidos, como energia e infraestrutura. O país também avançou na digitalização do setor financeiro, o que reduziu custos de transação e atraiu capital de risco. Enquanto isso, o Brasil, sob governos recentes, optou por aumentar a carga tributária, expandir o gasto público e reforçar o controle estatal sobre a economia — o resultado é conhecido: fuga de capitais, juros altos e crescimento pífio.

Por que isso importa? O fluxo de capital estrangeiro não é um fim em si mesmo, mas um termômetro da saúde institucional de um país. Investidores buscam previsibilidade, proteção contratual e baixa interferência estatal. A Indonésia, historicamente marcada por nacionalismo econômico e corrupção, vem provar que reformas de livre mercado, quando implementadas com consistência, geram dividendos reais. O caso indonésio é uma evidência empírica de que a redução do tamanho do Estado — e não sua ampliação — atrai capital produtivo.

A análise FORTIS destaca que o sucesso indonésio não é fruto de milagre, mas de escolhas conscientes. O país cortou o imposto de renda corporativo de 25% para 18% em três anos; desburocratizou a abertura de empresas (agora leva 3 dias, contra 12 no Brasil); e privatizou estatais deficitárias nos setores de logística e energia. Cada uma dessas medidas foi criticada por setores progressistas locais, que alarmavam com “perda de soberania” — o resultado prático, porém, foi o oposto: mais investimento, mais empregos e maior arrecadação futura.

Contraponto: críticos apontam que a entrada de capital estrangeiro pode gerar volatilidade, especialmente quando se trata de portfólio (investimentos de curto prazo). De fato, parte dos Rp140,7 trilhões é composta por fluxos especulativos em títulos públicos. Em 2024, a Indonésia enfrentou uma fuga de capitais quando o Federal Reserve dos EUA elevou juros, e o fenômeno pode se repetir. No entanto, Suahasil respondeu a essa preocupação ao reforçar que os fluxos de IDE — que representam 60% do total — são de longo prazo e estão ancorados na expansão da capacidade produtiva. A lição é clara: países que dependem exclusivamente de capital especulativo pagam o preço, mas aqueles que criam ambiente para investimento produtivo colhem estabilidade.

O contraste com o Brasil é gritante. Enquanto a Indonésia corta impostos e simplifica regras, o governo brasileiro estuda aumentar a alíquota efetiva do Imposto de Renda para empresas, amplia subsídios a setores escolhidos pelo Estado e mantém uma das cargas tributárias mais altas do mundo (33,9% do PIB). Não surpreende que, em 2025, o fluxo de IDE para o Brasil tenha caído 12%, segundo dados do Banco Central brasileiro. O capital prefere destinos com menos risco regulatório e menor custo de conformidade. A Indonésia entendeu isso; o Brasil, não.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.