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Internacional

Indonésia reafirma compromisso com multilateralismo na ONU, mas custos e burocracia geram debate interno

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-23

Em discurso na Assembleia Geral da ONU, a Indonésia reiterou sua adesão à diplomacia multilateral. No entanto, analistas apontam que a participação no organismo tem custos crescentes e resultados questionáveis para um país que busca afirmar sua soberania.

A Indonésia marcou presença na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, com uma delegação liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Sugiono. Em pronunciamento oficial, o governo indonésio reafirmou seu compromisso com a diplomacia multilateral como ferramenta para resolver conflitos globais e promover o desenvolvimento. A declaração ocorre em um momento em que o país do Sudeste Asiático busca consolidar seu papel como potência média no cenário internacional, equilibrando alinhamentos com blocos como o BRICS e a ASEAN.

O discurso indonésio destacou a importância da reforma do Conselho de Segurança da ONU, defendendo maior representatividade para países em desenvolvimento. A posição não é nova: Jacarta historicamente clama por um assento permanente no órgão, mas esbarra na resistência das potências estabelecidas. Apesar da retórica, dados do próprio sistema da ONU mostram que a Indonésia contribuiu com aproximadamente 0,5% do orçamento regular da organização em 2025, montante superior a US$ 30 milhões anuais, além de custos operacionais com missões de paz e envio de tropas.

Por que isso importa? A postura indonésia reflete um dilema comum a países emergentes: participar de instituições multilaterais que muitas vezes impõem burocracia e custos sem contrapartidas claras. Para o Brasil e a América Latina, o caso serve de alerta. O Itamaraty, por exemplo, também defende reformas na ONU, mas enfrenta o mesmo paradoxo: paga cotas elevadas e obtém pouca influência real nas decisões que afetam sua soberania econômica e comercial.

Análise FORTIS: A defesa do multilateralismo pela Indonésia soa coerente com sua tradição de não alinhamento, mas os números contam outra história. Segundo relatório do Government Accountability Office (GAO) dos EUA, cerca de 30% dos programas da ONU apresentam falhas de gestão e desperdício de recursos. Enquanto Jacarta gasta milhões em contribuições obrigatórias, seu PIB per capita ainda é inferior a US$ 5.000, e a pobreza atinge 9% da população. O liberal-conservadorismo enxerga aí uma contradição: o Estado indonésio tributa empresas e cidadãos para financiar uma máquina global ineficiente, em vez de priorizar investimentos domésticos em infraestrutura e educação.

Contraponto: Defensores da diplomacia multilateral argumentam que a ONU é insubstituível para coordenar respostas a crises sanitárias, mudanças climáticas e conflitos armados. A Indonésia, por exemplo, tem enviado tropas para missões de paz no Líbano e na República Centro-Africana, o que, segundo o Ministério da Defesa indonésio, fortalece sua imagem internacional e abre portas para acordos bilaterais. No entanto, não há evidências concretas de que esses benefícios superem os custos diretos e indiretos — como a perda de autonomia em decisões comerciais quando a ONU impõe sanções ou recomendações vinculantes.

A verdade factual é que a participação indonésia na ONU não tem gerado resultados mensuráveis em termos de crescimento econômico ou redução da pobreza. Dados do Banco Mundial indicam que, entre 2010 e 2025, o PIB da Indonésia cresceu a uma média de 4,5% ao ano, ritmo inferior ao do Vietnã (6,2%) e da Índia (6,8%), países que adotaram estratégias mais unilaterais e menos dependentes de organismos multilaterais. O contraste sugere que a ênfase em diplomacia global pode desviar o foco de reformas internas urgentes, como a simplificação tributária e a desregulamentação econômica.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.