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Internacional

Jumhur: Indonésia transforma compromisso climático em ação concreta sem cair na agenda globalista

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

O governo indonésio apresentou o programa Jumhur, que traduz promessas climáticas em ações setoriais. A iniciativa foca em resultados mensuráveis, sem abrir mão da soberania nacional sobre recursos estratégicos.

A Indonésia, maior economia do Sudeste Asiático e um dos maiores emissores de carbono do mundo, decidiu abandonar o discurso vazio e partir para a prática. O programa Jumhur (sigla local para "Movimento Nacional de Ação Climática Integrada") foi lançado oficialmente nesta semana com a promessa de coordenar esforços entre ministérios, setor privado e governos regionais. O objetivo declarado é transformar a retórica ambiental em investimentos reais e políticas públicas executáveis.

O plano prevê a redução de 31% das emissões de gases de efeito estufa até 2030, com metas próprias (sem depender de ajuda externa) e 43% com suporte internacional. A diferença crucial: o governo de Jacarta insiste que qualquer cooperação estrangeira deve respeitar a soberania indonésia sobre florestas, minérios e energia. A abordagem contrasta com a pressão de países desenvolvidos por metas mais ambiciosas e abertura de mercados de carbono.

O ministro coordenador de Assuntos Econômicos, Airlangga Hartarto, afirmou em entrevista à agência Antara que "o Jumhur não é sobre agradar a ONU ou o FMI. É sobre garantir que o crescimento econômico e a proteção ambiental andem juntos, sem sacrificar empregos ou o direito de explorar nossos recursos com responsabilidade". A declaração reflete a posição liberal-conservadora do governo do presidente Prabowo Subianto, que desde 2024 busca equilibrar desenvolvimento industrial com metas ambientais realistas.

**Por que isso importa**

O programa ataca três gargalos históricos: desmatamento ilegal (principal fonte de emissões do país), dependência de carvão para geração elétrica e falta de coordenação entre políticas setoriais. O Jumhur cria um comitê interministerial com poder de veto sobre projetos que não atendam a critérios de sustentabilidade, mas também oferece incentivos fiscais para empresas que adotarem tecnologias limpas.

Dados oficiais do Ministério do Meio Ambiente mostram que a taxa de desmatamento caiu 18% em 2025, o menor nível em uma década. Ainda assim, críticos apontam que a meta de 2030 exige cortes anuais de 6% — algo que nenhum país tropical conseguiu sustentar por mais de três anos consecutivos. O governo responde com números: a produção de óleo de palma, principal vetor de desmatamento, cresceu 4% no mesmo período, indicando que é possível conciliar produção e conservação.

**Análise FORTIS**

Do ponto de vista liberal-conservador, o Jumhur acerta ao rejeitar o modelo de "transferência de responsabilidade" que países ricos tentam impor ao Sul Global. A Indonésia não aceita ser transformada em sumidouro de carbono para compensar a poluição histórica da Europa e dos EUA. Ao mesmo tempo, o programa reconhece que o mercado, e não o Estado, é o motor da inovação ambiental.

Os incentivos fiscais para energia limpa e a simplificação de licenças para projetos de reflorestamento privado são passos na direção certa. Mas há um ponto cego: o governo mantém subsídios ao carvão (US$ 3,2 bilhões em 2025, segundo o Instituto de Reforma de Serviços Essenciais), o que contradiz o discurso de transição energética. Se a meta é reduzir emissões, por que continuar financiando o combustível fóssil mais poluente?

**Contraponto**

Organizações ambientalistas como o Greenpeace Indonésia criticam o Jumhur por falta de mecanismos de fiscalização independentes. Em nota oficial, o grupo afirmou que "sem uma agência reguladora autônoma, o programa será capturado pelos interesses das corporações de palma e carvão". O governo rebateu, dizendo que a criação de mais burocracia só atrasaria investimentos.

Já economistas de mercado livre, como o professor Faisal Basri, da Universidade da Indonésia, apontam que o Jumhur poderia ser mais ambicioso na eliminação de barreiras comerciais para tecnologias limpas. "A tarifa de importação de painéis solares ainda é de 15%. Se o governo quer realmente descarbonizar, precisa cortar esses impostos", declarou em entrevista ao jornal Kompas.

**P: O Jumhur pode servir de modelo para outros países em desenvolvimento, como o Brasil?** R: Em parte. O Brasil enfrenta desafios semelhantes: desmatamento na Amazônia, dependência de hidrelétricas em crise hídrica e pressão internacional por metas climáticas. O modelo indonésio de comitê interministerial com poder de veto poderia ser adaptado, mas o governo brasileiro teria que enfrentar o lobby do agronegócio ilegal — algo que a Indonésia ainda não resolveu completamente.

**P: O programa é compatível com o livre mercado?** R: Parcialmente. Os incentivos fiscais e a simplificação de licenças são positivos, mas os subsídios ao carvão e o controle estatal sobre os recursos florestais indicam que o governo ainda não confia plenamente no mercado para resolver a questão ambiental. Um liberal-conservador defenderia a eliminação gradual de todos os subsídios e a criação de um mercado de carbono voluntário, sem intervenção direta do Estado.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.