O governo da Indonésia, em declaração oficial divulgada durante a 79ª Assembleia Geral da ONU, conclamou a comunidade internacional a se unir em solidariedade para garantir o 'direito ao desenvolvimento' do povo indonésio. O termo, consagrado na Declaração sobre o Direito ao Desenvolvimento de 1986, é frequentemente utilizado por países emergentes como justificativa para exigir transferências de tecnologia, alívio de dívidas e acesso preferencial a mercados.
A retórica soa nobre, mas esconde uma armadilha: o 'direito ao desenvolvimento' é frequentemente invocado para legitimar políticas estatizantes, subsídios distorcivos e barreiras comerciais que, na prática, afastam o investimento privado e condenam gerações ao atraso. A Indonésia, maior economia do Sudeste Asiático com um PIB de US$ 1,4 trilhão, já experimentou os frutos da abertura econômica nas décadas de 1980 e 1990, mas nos últimos anos voltou a adotar medidas protecionistas.
Por que isso importa agora? Porque o Brasil, sob governos recentes, também abraçou o mesmo discurso. Em 2023, o presidente Lula defendeu na ONU uma 'nova arquitetura financeira global' para financiar o desenvolvimento. A diferença é que, enquanto a Indonésia tem uma dívida pública de 39% do PIB e crescimento médio de 5%, o Brasil acumula 74% de dívida e cresce menos de 2%. O modelo estatista não funciona nem para quem tem margem fiscal.
A análise do FORTIS NEWS é direta: desenvolvimento não se decreta, se conquista por meio de liberdade econômica, segurança jurídica e integração ao comércio global. O Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation posiciona a Indonésia na 56ª posição global, atrás de países como Chile (19º) e Uruguai (34º). O país ainda mantém restrições à entrada de capital estrangeiro em setores como mineração e telecomunicações, além de subsídios pesados a combustíveis fósseis que distorcem o mercado.
Contraponto necessário: a Indonésia enfrenta desafios reais de infraestrutura e desigualdade regional. O arquipélago de 17 mil ilhas exige investimentos maciços em logística e energia. No entanto, a resposta não está em mais Estado, mas em reformas pró-mercado. O exemplo de Cingapura, que não pediu 'solidariedade' e se tornou um hub global, mostra que o caminho é a abertura, não o apelo por caridade internacional.
O discurso indonésio também serve para pressionar o Ocidente por financiamento climático, já que o país possui vastas florestas tropicais e é um dos maiores emissores de CO2 por desmatamento. Mas a agenda ambiental não pode ser usada como moeda de troca para manter políticas econômicas ineficientes. A verdade factual é que, desde 2015, a Indonésia recebeu mais de US$ 5 bilhões em fundos verdes internacionais, mas a taxa de desmatamento só caiu 8% – um resultado pífio para o investimento.
Por Renan Filho · 2026-09-24